domingo, 29 de março de 2026

Palmeiras selvagens (9/?) [enchentes e vazantes de ansiedade e raiva impotente]


Retomando o curso,

“...se o rio se perdera num mundo afogado ou se o mundo afogara-se num rio sem limites.”


"Dessa vez não se ergueu de imediato. Ficou deitado de bruços, as pernas ligeiramente abertas e numa atitude quase serena, uma espécie de abjeta meditação. Ele teria que se levantar em algum momento, sabia disso, assim como toda a vida consiste em ter que se levantar mais cedo ou mais tarde, e depois ter que se deitar novamente mais cedo ou mais tarde depois de um tempo. E ele não estava propriamente exausto e não estava particularmente sem esperança e não temia especialmente ter que se levantar. Apenas lhe parecia que acidentalmente fora apanhado numa situação na qual o tempo e a natureza, não ele próprio, estavam enfeitiçados; estava servindo de brinquedo para uma corrente d’água que não ia a lugar algum, sob um dia que não acabaria em noite; quando ela terminasse iria vomitá-lo de volta ao mundo comparativamente seguro de onde havia sido violentamente arrancado e nesse meio-tempo não importava muito o que fizesse ou deixasse de fazer.”


“...complicado pelas fases enchentes e vazantes de ansiedade e raiva impotente diante da absoluta gratuidade dos seus apuros.”

SET/23

"...esperando por uma oportunidade para gritar. Ele nunca a encontrou.”



***

P.(almeiras) S.(elvagens): O velho.

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