quinta-feira, 16 de novembro de 2017

No mar da resignação

"Encontro da Turma de Marujos de 1957".
[Ou o que sobrou dela.]
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"Pesca com rede", Gargano, Apulia, Itália
Édouard Boubat, 1957

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Concerto para violino embarcado e vara de pescar, conduzido pelo maestro Sebastião Salgado:


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"Pescadores", Ría de Vigo, Espanha
Sebastião Salgado, 1988

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(Coleção Folha Grandes Fotógrafos: MAR - Folha de S. Paulo)

domingo, 12 de novembro de 2017

Nesse mar nessa ilha

Entristeça até meu samba.

Música: Nesse mar nessa ilha
Compositor: Moraes Moreira
Disco: Moraes Moreira (1975)

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É desse disco do Moraes que eu gosto muito, acho que o primeiro dele sem os Novos Baianos. Queria tocar há um bom tempo mas não tinha e nem encontrava os acordes. A missão de decifrar a canção coube ao Pipoca, a quem eu agradeço o grande favor de ter me enviado os acordes. Na verdade, ele tocou a música inteira e me mandou um vídeo. Aprendi vendo ele tocar. Então, registro os devidos créditos e o agradecimento pelo tempo empenhado, meu caro.

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...calma e calmaria...

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...tempo e tempestade...

sábado, 11 de novembro de 2017

O espelho, a nostalgia e o vento

Soa como Nostalgia mas vem de dentro do Espelho mesmo.

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Brincando um pouco de Tarkovsky, o russo amigo do vento.

(Música de Henry Purcell, da ópera "The Indian Queen".)

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E eu fiquei me perguntando na época:
"- Como é que esse cara fez ventar bonito e nervoso assim?!"
Um ventilador?!
Um helicóptero?!
Cinco mil operários russos lado a lado peidando na mais perfeita sincronia?!

Pode ser, mas nem importa.
O vento é um exibicionista nato.
Com a câmera ligada, ele viria de qualquer jeito.

O Espelho - Andrei Tarkovsky

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E, claro, entender um pouco de vento é uma habilidade sempre muito útil e cada vez mais valorizada no mercado de trabalho.
É que o vento traz muita porcaria, mas é também ele, quase sempre, que leva embora.
Aos fieis semeadores de vento e colhedores de tempestade, guardiões incuráveis da nostalgia por trás do espelho.

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"—Then I'll huff, and I'll puff, and I'll blow your house in."
(Wolf)

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Menino do mato

“Eu só não queria significar.
Porque significar limita a imaginação.
E com pouca imaginação eu não poderia
fazer parte de uma árvore.“


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“...um silêncio de chão...”

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“...na solidão de uma pedra...”


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“...por amor e não por sintaxe...”

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“A gente não gostava de explicar as imagens porque
explicar afasta as falas da imaginação.”

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“...o privilégio do abandono...”

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“Mas soletrava rãs melhor que mim.”

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“...o sonho do silêncio era ser pedra...”


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“Eu só faço travessuras com palavras
Não sei nem me pular quanto mais obstáculos.”

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“Eu sustento com palavras o silêncio do meu abandono.”

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“O menino que recebera o privilégio do
abandono.”

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“Tenho o privilégio de não saber quase tudo.
E isso explica
 o resto.”

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“Para se escrever em rã.”

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“Eu vivo no meu relento.”

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“Ele sabia que as coisas inúteis e os
homens inúteis
se guardam no abandono.”



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(Manoel de Barros - Menino do Mato)

domingo, 5 de novembro de 2017

Skin and bones

Pele e osso.

Música: Skin and Bones
Banda: Foo Fighters
Álbum: Skin and Bones (2006)

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A versão preferida:

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A versão:
"Look at me right here, MOTHERFUCKER:

Get the fuck out of my show!"

Skin and bones - Foo Fighters

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

A hora e vez de Augusto Matraga

"Sorte nasce a cada manhã, e já está velha ao meio-dia..."

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"E tinha uma força grande, de amor calado, e uma paciência quente, cantada, para chamar pelo seu nome: ...Dionóra..."

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"E Nhô Augusto fechou os olhos, de gastura, porque ele sabia que capiau de testa peluda, com o cabelo quase nos olhos, é uma raça de homem capaz de guardar o passado em casa, em lugar fresco perto do pote, e ir buscar da rua outras raivas pequenas, tudo para ajuntar à massa-mãe do ódio grande, até chegar o dia de tirar vingança."

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"Cada um tem a sua hora e a sua vez: você há de ter a sua."

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"Esteve resignado, e fazia compridos progressos na senda da conversão."

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"- Eu vou p’ra o céu, e vou mesmo, por bem ou por mal!... E a minha vez há de chegar... P’ra o céu eu vou, nem que seja no porrete!..."

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"Mas fugia às léguas de viola ou de sanfona, ou de qualquer outra qualidade de música que escuma tristezas no coração."

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"E tudo foi bem assim, porque tinha de ser, já que assim foi."

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"O bando desfilou em formação espaçada, o chefe no meio. E o chefe – o mais forte e o mais alto de todos, com um lenço azul enrolado no chapéu de couro, com dentes brancos limados em acume, de olhar dominador e tosse rosnada, mas sorriso bonito e mansinho de moça – era o homem mais afamado dos dois sertões do rio: célebre do Jequitinhonha à Serra das Araras, da beira do Jequitaí à barra do Verde Grande, do Rio Gavião até nos Montes Claros, de Carinhanha até Paracatu; maior do que Antônio Dó ou Indalécio; o arranca-toco, o treme-terra, o come-brasa, o pega-à-unha, o fecha-treta, o tira-prosa, o parte-ferro, o rompe-racha, o rompe-e-arrasa: Seu Joãozinho Bem-Bem."

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"Mocorongo eu não aceito comigo! Homem que atira de trás do toco não me serve..."

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"...bicipitalidade maciça..."

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"Eh, mundo velho de bambaruê e de bambaruá!..."

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"E só então foi que ele soube de que jeito estava pegado a sua penitência, e entendeu que essa história de se navegar com religião, e de querer tirar sua alma da boca do demônio, era a mesma coisa que entrar num brejão, que, para a frente, para trás e para os lados, é sempre dificultoso e atola sempre mais."

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"...guinchos timpânicos..."

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"Cantar, só, não fazia mal, não era pecado. As estradas cantavam. E ele achava muitas coisas bonitas, e tudo era mesmo bonito, como são todas as coisas, nos caminhos do sertão."

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"- Que-o-quê! Essa mania de rezar é que está lhe perdendo... O senhor não é padre nem frade, p’ra isso; é algum?... Cantoria de igreja, dando em cabeça fraca, desgoverna qualquer valente... Bobajada!..."

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(João Guimarães Rosa - A hora e vez de Augusto Matraga)

sábado, 28 de outubro de 2017

Love is Pleasing (e medieval)

Música difícil de rastrear.
Aparentemente, uma canção folclórica que foi sendo interpretada ao longo do tempo com várias diferenças no arranjo, na letra, e até mesmo no nome.

As duas versões do Davy Graham me agradam muito, como tudo o que ele fez musicalmente.

Mas, no geral, todas as versões mantêm esse clima quase medieval, que é algo que tem tudo a ver com o amor. Penso, inclusive, ser esse o adjetivo perfeito pra esse sentimento.

O amor é medieval.

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Música: Love is Pleasing
Versão: Davy Graham
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Aqui a versão do disco solo, que busquei seguir:
(Capa magnífica!)
Love is Pleasing - Davy Graham
Disco: Hat (1969)

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Aqui a versão do disco que ele fez com a Shirley Colins, onde fica mais fácil perceber o arranjo do violão:
Love is Pleasin' - Shirley Collins e Davy Graham
Disco: Folk roots, new routes (1964)

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E aqui era pra ser o já quase tradicional bônus-dos-guerreiros, mas "bônus" é uma palavra que definitivamente não faz justiça a essa versão.

Isso porque é a maravilhosa Jean Ritchie fazendo o amor cambalear agudo e doído pelas cordas do seu Saltério dos Apalaches, direto de uma montanha esquecida qualquer lá do Kentucky:
(Bela letra também.)

 O Love Is Teasin' - Jean Ritchie
Disco: Traditional Songs of Her Kentucky Mountain Family (1952)

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"When you think he's near he is far away"

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Música Salva! (29) - Quem não se Tchaikovsky se Shostakovich!

Como lindamente já nos ensinou o mestre maior, Tom Zé, lááááá atrás, naquela música rara e belíssima daquele compacto raro e belíssimo de 1973:

"Quem não pode se Tchaikovsky!"

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Mas mestre, e se nem pode e nem se Tchaikovsky? Como é que faz?
 - Aí se Shostakovich, bicho, se vira!

Valsa nº 2, Jazz Suite (trecho inicial)
Dmitri Shostakovich

Se a escaleta fosse um piano, a gente ia até o fim, mas faltou tecla.
Deu só pra abertura, e olhe lá...

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A música rara e bela é essa aqui:

Tom Zé - Quem não pode se Tchaikovsky
Compacto 1973, lado B.

É pra se ouvir um milhão de vezes antes de morrer.
E nem precisava de letra, podia ser só grunhida, mas tem de brinde essa jóia:

"Quem não pode se Tchaikovsky!
Meeeeeeeu amooooooor
Meeeeeeeu amooooooor
Meeeeeeeu amooooooor
Livra a cara qué vem baião!
Ora me deixe
Deixe de tolice
De refinesse grã-finice
Eu vou jogar areia
Nesse molejo da sinfônica
Quebrar o dente
De ouro da boca do palacete
Do palacete
Por gentileza deixe de fineza
De siquinique xiquitrique
Que eu não vou trocar
O pandeiro do Jackson
Pelo Tchaikovsky não
Nem pela coroa do Rei do Baião
Que dirá pela sanfona do Rei do Baião
Meeeeeeeu amooooooor
Meeeeeeeu amooooooor
Meeeeeeeu amooooooor
Tua mania de grandeza
Me dá tanta dor
Tô te avisando"

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É inspirada nessa outra beleza aqui:
Tchaikovsky - Violin Concerto in D major, Op. 35

Pra ouvir com mais tempo e calma, claro, mas garanto que vale a pena.

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Ah, e o Shostakovich? Onde é que entra?
Bom, o Dmitri entrou de gaiato mesmo, só pra rimar em russo, que é pra dar um efeito mais Maiakovski no esquema. Mas isso, porque é música e poesia. Fosse prosa, aí a gente se Dostoievskava.
Mas isso é assunto pra um outro dia...

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A bela - e também rara até 1999, quando redescoberta - valsa do Jimmitri Renda-se, se bem executada, soa assim:

Dmitri Shostakovich -  Jazz Suite, Valsa nº 2

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Não gostou não?!
Ah, mas então, ora me deixe, deixe de tolice, de refinesse, grã-finicedeixe de fineza, de siquinique xiquitrique... tô te avisando.

É valsa pra ouvidos abertos e Olhos Bem Fechados.
Vem dançar, vem?!

domingo, 8 de outubro de 2017

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Lara

Amarelo ouro.
Ouro puro.

Lara, era desse sorriso aí que eu tava falando!
Lembro que eu tive que insistir um pouquinho naquele dia, mas ele acabou saindo.
Eu sou chato mesmo, você sabe, mas é que esse sorriso combina muito com essa sua juba linda.
E eu nunca nem tinha te mostrado essas fotos, né?!
Pois é, roubei o sorriso pra mim por cinco anos.
Agora é de todo mundo.

Te vejo em breve, querida.

***


E, se puder, reserve uma vaga na lista pra mim, moça, porque eu só vou chegar no último vagão:

Los Hermanos - Além do que se vê
Álbum: Ventura (2003)

"Moça,
olha só o que eu te escrevi:
'É preciso força pra sonhar e perceber que a estrada vai além do que se vê.'"

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"Seeeeei que o vento que entortou a flor passou também por nosso lar e foi você quem desviou com golpes de pincel."

***
"Deixa eu ver a moça."

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"Ééééé booooom teeeee veeeeeeer sooorriiiiiiir."

***

"Deixa vir a moça,
que eu também vou atrás
e a banda diz: 
'- Assim é que se faz!'"

sábado, 30 de setembro de 2017

Lara

Amarelo ouro.

Dos pezinhos dançando aos thumbs-up-zinhos, a alegria já era absurda, Lara.
Mas soube há pouco que você já andou falando umas coisinhas e o meu ouvido até coçou de vontade de ouvir sua voz.

Do passeio no jardim do hospital até a volta pra casa será um pulinho pequeno agora.

Quase, quase...
E quase o sorriso que eu te pedi.

Obrigado por ser tão estupidamente forte, querida.
Por ser um monstro!

O monstro mais lindo e doce que já existiu, claro, mas ainda um monstro.
Desculpe, mas não dá mais pra dizer que você seja desse mundo.
Encare como um grande elogio.

Beijo.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Lara

Amarelo ouro.

Lara, o Leandro me escreveu o seguinte hoje:
"Meu caro, a Larinha deve sair da UTI amanhã. Estamos contando com isso e eu já tô querendo uma vaga na agenda de visitas dela. Abração!"

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Ótima notícia pra nós, querida, muito obrigado.

Agora que já abaixou as páginas de direito civil, só falta aquele sorriso bonito que eu pedi, que é pro presente ficar completo. E pra não dizer que eu sou tão egoísta assim, depois, no meu aniversário, você pode pedir o que quiser, tudo bem?

Isso que o Leandro falou de "querendo uma vaga na agenda de visitas dela" é engraçado, porque eu acho que vai ser uma das vagas mais disputadas que já houve em matéria de visitas em hospitais.

Acho até que vai ter gente dormindo na fila e cambista vendendo ingresso no portão de entrada.

É que você é meio que uma versão feminina do Ferris Bueller, Lara, de quem todo mundo quer ser amigo e fazer alguma coisa pra ajudar quando ele fica doente.
"Save Ferris/Save Lara".

Pois é, ser uma pessoa muito maneira dá nisso.
Abre uma "fenda de bacanice no universo".

Uma pena que eu ainda não esteja aí, porque gostaria imensamente de garantir minha vaga também e vê-la o quanto antes. Mas sei que quando finalmente estivermos juntos (logo, logo, agora em outubro) você já estará ótima e vamos comemorar muito essa sua recuperação heróica.

Continue forte e melhorando, querida.
Aguardando ansioso aquele sorriso.
Beijo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Lara

Amarelo ouro.

Isso foi há mais de cinco anos e ainda consigo ouvir nitidamente sua voz, Lara, reclamando naquele tom de molecagem por eu te apontar uma câmera sem a sua permissão. Foram tempos difíceis aqueles, você sabe, mas nada que se compare a estes últimos dias.

Bom, hoje é seu aniversário e, embora eu não dê a mínima pra essas coisas, sei bem que é algo importante pra você. E mesmo assim, como eu sou um egoísta-filha-da-puta, não só não vou te dar porcaria nenhuma como vou te exigir um presente: que você volte logo, querida, que pare com esse charme, abaixe essas páginas de direito civil (ou seja lá que outro ramo inútil e tedioso do direito você estava segurando naquele dia) e deixe a gente ver esse seu sorriso bonito logo, sim?!

Amanhã a Mariana vai te fazer uma visita e levar todo o nosso amor por você. Mande-me boas notícias dizendo que logo poderei tirar muitas outras fotos suas, ou que terei que tirar sem permissão mesmo, enquanto você reclama naquele tom de molecagem...

Acorde logo, querida, estamos todos muito ansiosos.
Um beijo carinhoso.

sábado, 26 de agosto de 2017

Far from any road

Música: Far from any road
Autor: Handsome Family
Álbum: Singing Bones (2003)

Uma bela canção de um disco altamente recomendável!

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Rusty Cohle. O cara.

Uma das melhores séries já feitas.
Um dos melhores personagens já criados.
E, com toda certeza, um dos melhores temas de abertura:

True Detective - Season One (2014)

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"...to watch the cactus bloom..."

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"And the stars will be your eyes
And the wind will be my hands."

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Ah...

...eu vou correr pro abraço.

Correr pro abraço - Gabriel o Pensador
Álbum: Sem crise (2012)