Garotas Suecas - Angola, Louisiana
Disco: Futuro do Pretérito, 2017
“Uma boa parcela de qualquer coragem é uma descrença sincera na sorte.”
“...sua mais nova fábula primitiva e imbecilóide, sua goma de mascar sexual...”
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“...frágeis instigações venéreas...”
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“Porque este anno Domini de 1938 não tem lugar para o amor.”
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“Meus canais lacrimais não estão funcionando, pensou, ouvindo seu coração que rugia e trabalhava. Como se ele estivesse bombeando areia e não sangue, algo não líquido, pensou. Tentando bombear.”
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“...piscando forte e dolorosamente por efeito da repentina granulação das pálpebras, como se a areia preta, obstruída para sempre de toda a umidade, na qual o coração escavava e extraía, estivesse a ponto de estourar o suor da agonia...”
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“...mais baixo que o decúbito da pequena morte chamada sono...”
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“...assumira a atitude imemorial de toda a miséria..."
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“...o murmúrio autêntico e constante e insone dos poros em funcionamento.”
“...olhos ferais...”
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“...o taciturno Moisés, sem alarme, impermeável ao alarme, apenas esquálido e fanaticamente proibitivo...”
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"...entendi o que tinha lido nos livros mas nunca tinha realmente acreditado: que amor e sofrimento são a mesma coisa e que o valor do amor é a quantia que você tem que pagar por ele, e sempre que for uma pechincha você terá enganado a si mesmo.”
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“...como ao acordar o nome deste dia fora escrito em letras de fogo, e não com palavras saídas de uma canção de ninar ou de um calendário...”
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“É assim que onde eu estou se parece de lá. É assim que parecemos vistos de lá.”
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“...como uma mosca morta desaparecida sob a industriosa labuta de um enxame de formigas.”
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“...na pequena morte da profunda exaustão...”
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“...o inverno que arrebanha as pessoas dentro das paredes seja lá de onde estiverem...”
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“...o rugir da própria saliva...”
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“...enchendo o ar errático como erráticos pássaros cegos.”
cada canto;
cada abandono;
cada coqueiro;
cada conselho
(solicitado ou não, bem ou mal intencionado).
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Como 1 e 1 são vários:
cada canto;
cada abandono;
cada coqueiro
(solitário ou gregário, selvagem, urbano ou suburbano).
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“Porém, os dias em si continuavam iguais – a mesma recapitulação estacionária do intervalo dourado entre a alvorada e o crepúsculo, os longos dias tranquilos e idênticos, a imaculada hierarquia monótona dos meios-dias cheios do quente mel solar, através dos quais o ano moribundo vagava na degradação vermelha-e-amarela das folhas de árvores decíduas, sem origem, indo para lugar nenhum.”
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“...solidão plena de sol...”
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“...tédio muscular absoluto...”
Cada canto.
Cada abandono.
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Como toda especulação filosoficapciosespeculativa, isso não tem resposta correta, mas o que eu posso garantir é que as palmeiras usadas neste livro de forma alguma podem ser consideradas ambientalmente corretas, socialmente justas ou, principalmente - principalmente mesmo - economicamente viáveis.
E ainda menos de origem controlada.
“Duas horas mais tarde, ao crepúsculo, eles viram pelas vidraças gotejantes uma casa de fazenda em chamas. Justaposta a lugar nenhum e vizinha de nada, ela se erguia, uma límpida e contínua chama semelhante a uma pira fugindo rigidamente do próprio reflexo, queimando no escuro acima da desolação aquática com um caráter paradoxal, ultrajante e bizarro.”