E por falar em paradoxal, ultrajante e bizarro, aí vai uma pergunta filosoficapciosespeculativa, pense bem antes de responder em seu âmago:
E se, bem longe daqui, em uma noite escura e uivante, que por descuido da lua ficou de fora de todos os calendários já datilografados sobre esta imensa e desolada terra, uma palmeira é arrancada do solo profundo e adormecido por este louco e ensandecido vento devastador, que a faz desabar violentamente no duro tapete asfáltico de um breu absoluto, porém, sem ninguém para testemunhar a queda, ela (a palmeira) faz algum barulho ou apenas emite – no linguajar e ao modo particular das palmeiras - o mesmo som e a mesma fúria de um ciclone atravessando Saturno?
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“...como a fileira de formigas entre os trilhos por onde passa o trem expresso, elas (as formigas) tão ignorantes do poder e da fúria como de um ciclone atravessando Saturno.”
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Como toda especulação filosoficapciosespeculativa, isso não tem resposta correta, mas o que eu posso garantir é que as palmeiras usadas neste livro de forma alguma podem ser consideradas ambientalmente corretas, socialmente justas ou, principalmente - principalmente mesmo - economicamente viáveis.
E ainda menos de origem controlada.
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“Sim. No amor. Dizem que o amor morre entre duas pessoas. É mentira. Não morre. Simplesmente abandona você, vai embora, se você não é bom o bastante, digno o bastante. Não morre; quem morre é você. É como o oceano: se você não presta, se começa a empesteá-lo, ele te cospe fora em alguma parte para morrer. Você morre de qualquer jeito, mas prefiro me afogar no oceano a ser vomitada numa faixa perdida de praia e acabar secada pelo sol até me tornar uma mancha suja sem nome, com apenas 'Isto Foi' como epitáfio.”
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“E a fome não está aqui... – Ela bateu na barriga dele com as costas da mão. – São só suas entranhas roncando. A fome está aqui. – Tocou no peito dele. – Nunca se esqueça disso.
- Não esquecerei. Agora não.
“Mas poderá esquecer. Você já sentiu fome nas entranhas, por isso está com medo. Porque a gente sempre tem medo daquilo que suportou.”
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“Ela alugou aquela claraboia.”
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“Como coisas criadas para viver apenas na maior e mais asfixiante escuridão, como num cofre de banco ou talvez num pântano venenoso, não no ar nutritivo, rico e normal expelido por entranhas cheias de legumes...”
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“Deus não vai deixa-la morrer de fome, pensava. Ela é valiosa demais. Ele caprichou demais nela. Mesmo quem criou todas as coisas deve gostar de algumas o bastante para querer guardá-las.”
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“ – Em nome de Jesus Schopenhauer – disse McCord. – Que espécie de literatura de nona categoria é essa? Você ainda nem começou a passar fome. Ainda nem concluiu seu curso completo de indigência.”
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“...um meio-fio suburbano e opulento...”
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“...os gramados corrediços da meia-noite...”
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“A gente não se dá conta do quão flexível é o dinheiro até trocá-lo por alguma coisa – disse. – Talvez seja isso que os economistas entendem por rendimentos normais decrescentes.”
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E, em nome de Jesus Schopenhauer e do Espírito Santo do FSC, assim como o amor selvagem é sempre economicamente inviável, enchentes e ciclones talvez sejam também um pouquinho ambientalmente incorretos e socialmente injustos, de alguma forma.
Ou seria o contrário?

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