terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Cinema Salva! (02) - A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo


Aquarius
Kleber Mendonça Filho - Brasil/França (2016)

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Procrastinando, como sempre muito. 
Todo mundo no Bacurau, eu ainda no Aquarius.

Mas o bom do cinema tá também nisso aí:
fica tudo gravado.

Aí um besta como eu pode ver, mesmo tempos depois.
E outros bestas depois.
E outros e outros e outros...
...sempre em um HOJE qualquer.

Música: Hoje
Compositor: Taiguara
Álbum: Hoje (1969)

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Dentre muitas outras coisas importantíssimas,
seguimos firmes contra todos que fazem cursos de "business".

Afinal, cursos de "business" em excesso podem te tornar um ministro da economia.
E dos piores que já se viu.

Mas ministro da economia não serve pra muita coisa, mesmo.
Acaba sendo só aquele carinha que mente pra classe média, dizendo que ela merece visitar o Mickey Mouse duas vezes por ano.

Depois, quando começam a cobrar essa promessa, o sujeito desconversa, diz que viajar pra fora é coisa de empregada doméstica.
E aí a classe média acha graça, compreende e aceita a cotação do dia.

Mas, é como dizem: toda classe média tem o ministro da economia que merece.

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E fugindo um pouco, mas talvez nem um pouco, enquanto via o filme, fiquei com essa obra do Yuri Firmeza na cabeça.

É Fortaleza, não é Recife, mas também é firmeza total.
E resiste:


A fortaleza - Yuri Firmeza (2010)

"Em 'A fortaleza', Yuri Firmeza reencena a fotografia de infância em que ele faz a pose clássica do halterofilista, dobrando os braços e tensionando os músculos para demonstrar sua força. Entre uma imagem e outra – um intervalo de quase duas décadas – além do crescimento do menino, agora adulto, chama atenção a mudança radical da paisagem de fundo. Em uma foto, vemos casas, poucos prédios e um horizonte ao fundo; na outra, prédios mais altos preenchem os espaços outrora vazios. Mal se vê ao longe em Fortaleza, cidade onde o artista mora desde pequeno. A cidade virou uma fortaleza edificada, e Yuri se apresenta diante dela fazendo graça com seu corpo esguio, ao mesmo tempo assumindo sua parte de responsabilidade como morador."
(Fonte: http://app.31bienal.org.br/pt/single/1122)

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A obra é de umas duas ou três bienais passadas:



E eram duas.
A outra, um edifício de três andares em si mesma:



Firmeza!

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E o Gil, pra fechar.


Música: Pai e Mãe
Compositor: Gilberto Gil
Álbum: Refazenda (1975)

sábado, 8 de fevereiro de 2020

Filthy Rich


Música: Filthy Rich
Compositores: Tom Ball & Kenny Sultan
From Kenny Sultan's book "Acoustic Blues Guitar"

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Diamantes no lixo:

filthy, porém rich
ou
rich de tão filthy
ou
rich, porém filthy
ou
filthy de tão rich
ou
rich produz muito filthy
ou
filthy produz muito rich
ou
rich = filthy
e
filthy = rich

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No fim, talvez melhor ser pobre mas ser limpinho mesmo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

Música Salva! (34) Cupim de Ferro


"Eu sei de todo caminho que andei
Sou feito de barro batido e berro
Sempre topei com madeira de lei
A ciência já me fez cupim de ferro"

"E o coração espera quando a terra é movediça"

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Música: Cupim de Ferro (part. Nação Zumbi)
Compositores: Lenine, Pupillo, Dengue, Lúcio Maia, Jorge du Peixe
Álbum: Carbono (2015)

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"O olho finaliza, a lente só revela
E o coração numera cada batida esquecida"

sábado, 25 de janeiro de 2020

Sim, Mary, eles atiraram as pedras mais afiadas


A ideia original sempre foi fazer uma reconstituição ilustrada desta aventura fatídica, tão fictícia quanto verídica.

Mas acontece que essa preguiça somada a essa predileção pelo álcool, como de costume, contribuíram demais para o fracasso desse tão auspicioso plano.

Então, o jeito foi recorrer ao banco de imagens mesmo, esperando humildemente nunca ser processado pela NGS*.

Bom, tudo aconteceu mais ou menos assim:

Música: After We Shot The Grizzly
Banda: The Handsome Family
Álbum: Last Days of Wonder (2006)

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"After we shot the grizzly...


...after the airship crashed...


...after we lost the compass...


...after the radio went dead...


...we shot and ate the horses...


...we marched through deadly swamps...


...inside a limestone cave...


...I found a human skull...

...yes, Mary,
I found a human skull...


...the captain caught a fever...


...we tied him to a tree...


...we stared into the fire
and tried not to hear his screams...


...I killed a tiny antelope
not scared by my approach
we turned it over dying flames
as we huddled in the glow...

...yes, Mary,
we huddled in the glow...


...we built a raft from skin and bones
only five could safely float...


...the others stood upon the shore
they screamed and threw sharp stones...

...yes, Mary,
they threw the sharpest stones...


...but how the sea did spin us...


...how the waves


did roar...


 ...the captain jumped into the storm...


...then we were but four...


 ...one by one, we chose our straws
'til only I remained
but Mary, you are with me now
all around me in the waves...

...yes, Mary
you are in the waves...

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Grandes Imagens
- National Geographic -

*National Geographic Society

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Aviso:
Nenhum animal ou meio de transporte foi ferido durante a reconstituição desta história.
Os homens que participaram da expedição,
esses, infelizmente, sim.

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Créditos das fotos utilizadas nesta narrativa in order of appearance:

1) Joel Sartore | 2009 | Alasca
Urso polar no crepúsculo ártico

2) B. Anthony Stewart | Déc. 1950 | Nova York
O Mayflower II na entrada do porto de Nova York

3) Jean Gaberell | 1920 | Suíça
Acima das nuvens

4) Hohn E. Fletcher e Donald McBain | 1954 | Indiana
Controle de qualidade por meio de televisão na siderúrgica U.S. Steel

5) Maynard Owen Williams | 1931 | China
À margem do Lago Bulun Kul

6) Frank Kingdon Ward | 1950 | Índia
Viagem de expedição à moda antiga

7) Carsten Peter | 2008 | México
Caverna dos cristais, em Chihuahua

8) Westinghouse Electric Corp | 1947 | Nova Jersey
Radiografia de homem usando um barbeador elétrico 

9) Expedição Ártica Peary | 1909 | Canadá
Retrato de um explorador: Robert E. Peary

10) Autor desconhecido | Início Déc. 1900 | Itália
Travessia temerária nas Dolomitas

11) Otis Imboden | 1969 | Flórida
Viagem à Lua: o Apollo 11 na platafroma de lançamento

12) Joel Sartore | 1995 | Nebrasca
Maquete com carneiros é espanada em loja de artigos esportivos

13) Bourne & Shepherd | 1877 | Índia
Palácio no lago Udaipur

14) Robert Haas | 2007 | Brasil
Cemitério à beira do Rio Negro

15) Expedição Ártica Peary | 1905-6 | Oceano Ártico
Imobilizado pelo gelo na aurora

16) Alan Villiers | 1933 | Em alto-mar
Recolhendo os estais 

17) Dick Wolf | 1941 | África do Sul
Leão africano

18) Borge Ousland | 2009 | Oceano Ártico
Sobre o gelo fino

19) Luis Marden | 1951 | Maine
Pesca de sardinha ao amanhecer

20) William T. Douthitt | 1985 | Maryland
Coleta de amostras no Rio Susquehanna em busca de sinais de contaminação radioativa por usinas nucleares

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Muito amor por esse livro...

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E por essa banda.

domingo, 19 de janeiro de 2020

Enquanto salta e saltita


“...a estranheza é um traço dos milagres...”

Steinberg.
Saul.

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“Às vezes, acho que entendi tudo, e poucos minutos depois me surpreendo ao me dar conta de que não entendi nada, não me lembro mais do que tinha afinal entendido. Compreendemos por meio de uma emoção. Fiquei felicíssimo quando, pela primeira vez, entendi que entendia. Difícil explicar melhor: entender que entendera, entender que a coisa é possível, entender que, mesmo estando perdida por hora, não está perdida para sempre.”

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Uma pequena homenagem a esse grandioso, sensível e querido desenhista.

"...cortar, cortar, cortar."

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“Nada do que é depositado na memória se perde, ela é um computador que continua acumulando dados para a vida inteira, dados que nem sempre se utiliza, porque o homem muitas vezes parece um transatlântico que navega com apenas uma cabine ocupada. Deveríamos conseguir usar continuamente esse imenso acúmulo de dados, mantê-los em exercício, combiná-los entre si, multiplica-los, reintroduzi-los no curso de nossos pensamentos.”

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“Não quis, assim como não quero rever a Romênia: são lugares que não pertencem à geografia, mas ao tempo. E a recordação desses lugares de tristeza, de sofrimento, mas sobretudo de grandes emoções, se dissipa quando os revemos. É melhor deixar certas coisas em paz, tal como estão na memória: com o passar do tempo, tornam-se a mitologia da nossa vida. Não quis nem mesmo rever certas pessoas com quem tive alguma amizade em determinado lugar, em determinada época: colegas de escola, de infância. Não se pode retornar um diálogo que nunca foi um verdadeiro diálogo, mas antes uma cumplicidade temporária, a cumplicidade que se estabelece entre gente que ocupa a mesma cabine de um trem. É certo que se tivesse que voltar a morar na rua Palas, em Bucareste, onde passei a infância e a mocidade, eu o faria; mas passar por lá às pressas me pareceria uma falta de respeito inadmissível.”

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“E assim tenho medo de que o desenho revele certas partes de mim mesmo, certas zonas de vulgaridade em que não digo a verdade, lanço mão do que já sei, dos lugares-comuns, e vejo em mim mesmo, isto é, no desenho que estou fazendo, alguns dos meus defeitos constantes: terminar sem terminar, cansar e renunciar a insistir num ponto que seria essencial, por timidez ou por preguiça, deixa de insistir, e assim as coisas não terminam como deveriam, a promessa é mais abundante que o resultado. Há por vezes alguma coisa de sedutor no que faço, mas que seria bom de verdade se eu continuasse seriamente até o fim, se mantivesse a promessa.”

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“Na faculdade de arquitetura, alguém (já não recordo quem) me deu esse conselho útil: “Quando a borracha cair no chão, não se precipite a pegá-la de volta; siga-a com os olhos enquanto salta e saltita, até parar, e só então vá pegá-la”. E, analogamente: “Na hora de fechar os tubos de tinta, depois de ter usado vários às pressas, não se deve nunca andar com o tubo à procura da tampa; primeiro pegue a tampa e depois vá em busca do tubo. É bem mais fácil.”

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“Aprendi muitas coisas com Sig Lomaky, um marceneiro finlandês, habilidosíssimo. Fabricou para mim, para o estúdio, pranchetas de desenho, painéis, escadas. Era um grande prazer vê-lo trabalhar. Consertava peças de madeira quebradas: “mesas” que eu tinha fabricado por conta própria e que ficavam bambas porque estavam mal coladas, de um lado só. Remediava meus erros com truques engenhosos, e as “mesas” consertadas eram mais bonitas atrás, com os reforços e as correções que ele introduzira, do que na frente.”

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"Reflexos e sombras"
- Saul Steinberg -
(com a colaboração de Aldo Buzzi)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Cinema Salva! (01) - Nos submundos do Subway: It's only mystery!



"To be is to do."
Sócrates

"To do is to be."
Sartre

"Do be do be do."
Sinatra

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- Por que amo você?

- Porque sou uma mulher incrível.


- Por que não me ama?


- Porque não tenho coragem.


- É preguiçosa?


- Terrivelmente.


- Quem faz a comida na sua casa?


- A cozinheira.


- E a faxina?


- A faxineira.


- E o amor?

...

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E o amor, Isabelle?

Subway
Luc Besson -  França (1985)

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Magnifique!


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Não consegui achar um defeito nesse filme.
O roteiro, a direção, a trilha sonora, as atuações - todas! -, os músicos, ah, os músicos...
...perfeito!

É uma luta de classes, é uma história de amor, é dos anos oitenta, e claro, o principal, cheio daqueles eternos corres de um sujeito que não sabe cantar tentando montar uma banda.
E tudo isso em francês...

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- O que você faz da vida, Fred?

- Monto uma banda de música.

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Música: It's only mystery
Interpretada por Arthur Simms
Compositores: Eric Serra; Louis Bertignac; Corine Marienneau

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E se não fosse a política tacanha do serviço de streaming com os prints, garanto que seriam muitos. Mas, em todo caso, fica o registro, Isabelle, de que poucas vezes vi uma atuação tão cativante, delicada, doce e precisa como a sua nesse filme.

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"How can I keep on smiling at there disguise?
When I know nothing good ever comes from lies
My heart is no beginner
but still I can lose my temper

How can we keep on watching that fucking TV?
We're so bored we don't even care what we see
Takes our strength away
And never, never shows us the way, no

[...]

We could dream of a grand evolution
Where we wouldn't ask anymore questions
There will be no, no more pretenders
Use the love that I offer."

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"- Les papieeeers!"