sábado, 23 de agosto de 2025

MÃEgue


mangue
moisés alves

***

"Há sempre limitados modos
de não perder as estribeiras."

"É incrível esse tempo que nos resta.
Nunca sei o que faço com as sobras."

***

"Quando nos abraçamos
formamos um aparato químico-amoroso"

"A gente tenta manter o céu
sobre nossas cabeças. Nem sempre ganhamos.
Melhor: nem sempre se ganha uma perda."

"Mãe é onde estamos"

"Só há tempo para habitar a vida.
Nosso amor ao presente triunfa."

"Minha mãe exercita-se
em outras relações sintáticas.
A alma é um bem público."

"Ela fica tão leve
sem o peso dos passados"

***

"amor é quando
pequenos enunciados médicos
dizem é grave não estudamos
ainda essas tramas incuráveis
que pena"

"amor é quando a gente vai se devolvendo
sem escândalo à natureza"

"amor é quando você quer ficar
e seu saco de pancadas rasga"

"amor é quando você não quer mas seu corpo dança"

"amor é quando a partir de agora você assume
sua própria maternidade"

"amor é quando do galho um fruto cai"

"amor é quando você é o restauro
a usina a ruína o canteiro de obra"

"amor é quando você volta"

***

"agora que perdemos a localização das ilhas
estamos juntos nesse laço de abandono
de distância
a distância é quando uma mão alcança
a impossível manufatura das paixões"

***

"seres térmicos"

***

"Ataquei mortes estreitas
pondo poemas de grande beleza na zaga."

"Acusamos a vida pelo excesso
de pequenos milagres
não de enigmas. A vida está aí, pessoa,
Solta nas praças como um vira-lata"

***

"revoltas que retornam"

"rasga relações"

"além disso nossa fome
de expansão é bem restrita
a gente não se estica
como felinos, vírus e fascistas"

***

"Estar presente às vezes é tudo
que se pode dar como resposta."

"todo desencontro comove."

***

"da desaparição de um gesto"

***

"queremos ir e voltar
para um lugar irretornável"

***

"ainda lembra das finitas posturas
que um corpo conquista"

"uma verticalidade vital
é um corpo de pé"

***

"magia búfala"

***

"o luxo de ter o que todos têm
dois pulmões neon"

***

"minha memória
parou de tomar conta"

***

"que o vento arraste o pó"

"elas disseram
viva depois morra
basta"

***

"envolto numa solidão crua
ancestral muito digna"

"balançando numa temporalidade
solta de calendários"

"desse calor que sai das coisas
úmido ambulante sem passado"

***

"pensamentos bactericidas"

"a língua no osso
para soldar"

***

"ruínas celebram
nunca conservam"

"diante
de um acontecimento
você sensualiza
e exige referências
concentrado nos prazos
para a abertura de recursos"

***

"que pareço um tumulto"

"Mãe é um gesto atrás do outro,
Não adianta, é herança solta."

"Conhece-se a força de uma coisa
sobretudo através de sua ausência.
Restos são de grande beleza e
servem como vigas dos vários tempos
que nos cercam.
Às vezes abro uma porta e entro numa
estação de carícias que me interessa
violentamente.
A vida pede mais vida,
é a lei."

***

"rastros ocupam espaço
de tal modo
que seu desaparecimento
é inesgotável"

"como se isso domesticasse
esse rio que sangra"

"estamos impregnados
por essa instância impessoal
que não abraça nem desata"

***

"em algum momento atingimos
um ponto onde é necessário reconhecer
onde uma dor finda
a dor também nos abandona"

"a questão é como servir-se de
um resto que fica"

***

"crescer é muito inesperado"

***

"sobre a história mamífera desse país"

***

"quantos homens e mulheres
faltam nascer para que a terra
me dispense"

***

"impossíveis têm que ser respeitados"

***

"o passado anda agora
em nossa frente"

***

"quando um sumiço
finalmente some"

***

"isso que acontece pertence
aos povos dessa terra
nada pessoal
a glória é essa"

***

"desaparecer
é uma ferida"

***

"durar é justo
durar é uma atitude do mundo"

"minha mãe tem muitas línguas
tenho fissura quando ela
para numa que não é
nem lembrança
nem esquecimento"

***

"minha absurda falta de geometria"

***

"arquivo de uma fúria"

***

"Uma invariável
falta de enigma
por todos os lados"

"Minha mãe, como a sua,
se reparte em muitas outras
possibilidades de maternidade."

"Minha mãe alcança
uma frequência de desaparecimento
que me falta habilidade espírito
de aventura força vital câncer."

***

"palavras que cuidam de mim
desde criança são
esquizofrenicamente
de esquerda."

"a esta hora só quem chega é o deserto"

***

"Sei lá, o mais estranho no sofrimento
é que ele não aniquila."

***

"A agulha
desse século não reconhece
um LP de 1980. Esse tempo
não nos reconhece."

"Tudo é questão de soltar mais porção de vida
para aniquilar formas suburbanas de morte."

"O começo de nosso prazer
eu e ela não lembramos. O diagnóstico
acusa que o vício que temos
é esquecer o que somos."

"Amar mamãe é voraz, antibiográfico,
consta na futura perícia de minhas vísceras."

***

"Quando menos se espera
o sólido desaba"

***

"cansaços servem 
apenas para alimentar poemas"

"estou pronto
venha o que vier
mas só um momento"

***

"a vida é uma onda.
a onda viaja. a onda chega numa praia.
a onda volta. aceitamos de soslaio
o que vem o que vai embora."

"eu tenho um nome próprio.
você também.
vamos viver."

domingo, 17 de agosto de 2025

a água é uma MÃEquina do tempo


A água é uma máquina do tempo
Aline Motta

***

"nem todas as mães vingam"

*

"Devo a você a ansiedade da perfeição, não há conserto quando se falta uma peça."

*

"Fazer o que pôde custou-lhe a vida."

*

"Odiava quando chamavam minha mãe de guerreira. Seu corpo não era um campo de batalhas."

*

"Mortos são corpos do mundo que não são mais corpos de ninguém.
Um corpo separado de sua memória não é mais uma pessoa."

*

"Estávamos nadando ou sendo arrastados pelas ondas?"

*

"Se você estiver consciente durante a morte, não sobreviverá."

*

"Tudo o que não tive será dela."

*

"Nós apenas não sentíamos o seu desaparecimento.
Gases formavam fantasmas que tinham o seu nome."

*

"Se eu soubesse teria soprado um par de pulmões no lugar do seu útero."

*

"...respirar o vento da eternidade..."

*

"A filha vira uma ancestral da mãe
memória e veículo
A água é uma máquina do tempo"

domingo, 27 de julho de 2025

lenta e

 
suave
sua avó soa veloz pelo jardim
salga uma lesma
assobia pelo ouvido
cerca e se antecipa
sabe sobre tudo
sobretudo, sábia

***

- A senhora vai temperar umas lesmas?
- É, vou levar um agradinho pra elas.

***



terça-feira, 6 de maio de 2025

com simplicidade, franqueza, acrobacias matutinas e a boa e velha poesia acidental

E chegou. Agora pela segunda vez.
Embalado com tanto carinho quanto foi escrito.

***

“...e o mundo abundava em todo o género de prodígios que supor se possa...”

[...]

“...mas bem te digo que sei lidar com cavalos. Consigo com que eles queiram fazer tudo o que eu quiser que eles façam. Os cavalos compreendem-me.

- Como é que arranjas isso? – perguntei.

- Cá me entendo com cavalos.

- Está bem, mas entendes-te como?

- Com simplicidade e franqueza.”

[...]

“Um homem desconfiado fiava-se nos olhos e não no coração.”

***

“O meu tio Melik deve ter sido o pior lavrador que jamais existiu. Era demasiado imaginativo para que as coisas lhe saíssem bem. O que ele queria era o belo. Queria plantá-lo e vê-lo crescer. Eu próprio plantei para cima de cem romãzeiras. E também guiei um tractor John Deere, tal como o meu tio. Tudo aquilo era arte, não agricultura. Do que meu tio gostava era da ideia de plantar árvores e vê-las crescer.”

[...]

“O meu tio endireitou-se, e suspirou profundamente.

- Põe o animalzinho no chão – disse. – Sejamos bons para com as inocentes criaturas de Deus Todo-Poderoso. Se não é venenoso nem chega a crescer mais do que um rato e se não anda em grupos muito numerosos nem tem memória para falar de tudo isto, deixa a tímida criaturinha voltar à terra. Sejamos bons para com os serzitos que connosco vivem à superfície do globo.

- Sim senhor.

Pousei o sapo no chão.

- Vá, com jeitinho. Que nenhum mal aconteça a este estranho habitante das minhas terras.”

[...]

“- Isso o que é?

- Olhe, é assim uma espécie de ratos. Pertencem à família dos roedores.

- E que faz tudo isso, nas minhas terras?

- Não sabem que esta terra é sua. Vivem aqui desde sempre.”

[...]

“Não trocamos palavra, porque havia imensas coisas para dizer e não havia linguagem que as dissesse.”

***

“Tudo aquilo eram coisas que eu já sabia pouco mais ou menos, mas a que nunca me dera ao trabalho de ligar. A coisa consistia em levantar-me de manhã cedo, e durante cerca de uma hora fazer exercícios de ginástica, que vinham ilustrados. E também de beber muita água, respirar muito ar puro, comer do bom e do melhor, e manter a coisa até se chegar a gigante.

[...]

Entretanto, ia cumprindo as regras prescritas e tornava-me mais forte de dia para dia. Quando digo entretanto, quero dizer que cumpri as regras durante quatro dias. Ao quinto decidi dormir em vez de me levantar e de encher a casa de barulho, para irritação da minha avó.

[...]

Pus então de parte o programa de Mr. Strongfort e voltei ao meu próprio programa, que consistia sensivelmente no seguinte: ter calma e crescer, por forma a tornar-me o homem mais forte das redondezas, sem quaisquer preocupações ou exercícios. Foi o que fiz.

***

“Mostrava-se sempre impaciente com todo género de conversas, excepto com as conversas mais directas e pertinentes. O que ele queria era saber o que não sabia, e nada mais. Não queria conversas pelo gosto de conversar.”

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“Tudo aquilo era muito bonito, mas com a melancolia de um tom menor.”

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“Estou convencido que uma pessoa exagera quando não se lembra dos outros.”

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“...só pela sua acidental poesia e não com mira em lucros mesquinhos.”

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“Não se pode ter tudo – excepto um dia ou dois de cada vez.”

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“Os seus olhos eram de criança, mas pareciam recheados de anos de recordações – de anos e anos de separação de coisas profundamente amadas...

[...]

...era uma voz que parecia vir não dele próprio como da sua velha terra.

[...]

...e a sua melancólica cabeça de criança cheia de compreensão e mágoa...

[...]

Nada há como o encanto de um povo, a variedade; a qualidade que os torna humanos e merecedores de se perpetuarem.”

[...]

“- Há pessoas que falam quando têm alguma coisa para dizer – acrescentou a minha mãe -; outras não.

- Mas como pode uma pessoa falar sem dizer nada?

- Fala-se sem palavras. Estamos constantemente a falar sem palavras.

- Para que servem então as palavras?

- Para nada, quase sempre. Na maior parte das vezes, apenas servem para encobrir aquilo que se quer realmente dizer ou que não queremos que se saiba.”

***

Cai então a noite, que é quando o deserto se excede. Quando o deserto e a noite se encontram, dá-se aquilo a que se chama silêncio.

É daquelas coisas que se não esquecem.

Enche-se a memória da quietude e do mistério do mundo.”

***

My name is Aram
(William Saroyan, 1940)


Meu nome é Aram
Composto e impresso por Gris, Impressores. Lisboa, 1972.

domingo, 6 de abril de 2025

ao mar

JUL/23

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A baleia "à pampa", a tormenta no alto e o casco berrando "creck" por baixo.

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"Trate-me por Ishmael. Há alguns anos - não importa quantos ao certo -, tendo pouco ou nenhum dinheiro no bolso, e nada em especial que me interessasse em terra firme, pensei em navegar um pouco e visitar o mundo das águas. É o meu jeito de afastar a melancolia e regular a circulação. Sempre que começo a ficar rabugento; sempre que há um novembro úmido e chuvoso em minha alma; sempre que, sem querer, me vejo parado diante de agências funerárias, ou acompanhando todos os funerais que encontro; e, em especial, quando minha tristeza é tão profunda que se faz necessário um princípio moral muito forte que me impeça de sair à rua e rigorosamente arrancar os chapéus de todas as pessoas - então percebo que é hora de ir o mais rápido possível para o mar."

***







Salvador. Março/25

***

"A Bahia tem um jeito..."

domingo, 9 de março de 2025

sexta-feira, 7 de março de 2025

frio e ambicioso



Entre meios-termos, nove-horas e águas termais, submarino frio e ambicioso atinge fronteiras tropicais.

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Arcade Fire
I'm Sleeping in a Submarine
(2003)

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"What bravery"

domingo, 23 de fevereiro de 2025

festa na praia

Festa na praia: gato infeliz lamenta a balbúrdia e a decadência
(SET/2023)


Festa na praia: gato infeliz lamenta a balbúrdia e a decadência
(detalhe)

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"Till the low tide comes to swallow pain"

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"The memories we've buried
Have just taken seed
When springtime comes
They'll turn into weeds"

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Dr. Dog - The Beach
Álbum: Fate (2008)

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"You know fate has a funny way
Of coming around"

domingo, 16 de fevereiro de 2025

ainda é só o começo


Fim, Fernanda Torres (2013)

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“A queda é a maior ameaça para o idoso. 'Idoso', palavra odienta. Pior, só 'terceira idade'. A queda separa a velhice da senilidade extrema. O tombo destrói a cadeia que liga a cabeça aos pés. Adeus, corpo. Em casa, vou de corrimão em corrimão, tateio móveis e paredes, e tomo banho sentado. Da poltrona para a janela, da janela para a cama, da cama para a poltrona, da poltrona para a janela.”

[...]

“...tudo muito triste e civilizado...”

[...]

“...um criadouro de deformações neuróticas das gerações que lhe serviram de pasto.”

[...]

“Todos aguardavam a expiação, o mea-culpa que, segundo a teoria, romperia com as mazelas psíquicas que lhe mantinham fechadas as portas da felicidade.”

[...]

“...o futuro se define cedo.”

[...]

“A estrela-d'alva no céu desponta... Estrela-d'alva é fim de festa. Está ficando azul... o céu... anil. Odeio o amanhecer. Angústia filha da putíssima.”

[...]

“Foi a infância da minha velhice.”

[...]

“É o que sempre procurei, esse não se importar com o que me cerca, não sofrer, não sentir. Como é bom, meu Deus.”

[...]

“Os coveiros lacraram a cova com as pás besuntadas de cimento, dando um inusitado toque de reforma de banheiro à cerimônia.”

[...]

“Amar estava na ordem do dia.”

[...]

“Leu Platão, O banquete, com o grupo de estudos, e descobriu-se andrógina. Algum deus maldito havia cortado ao meio seu corpo de origem, separando-a do homem dela. Queria encontra-lo, reavê-lo. À noite, fantasiou ser costurada de volta, ponto por ponto, pele com pele, sentiu calafrios e dormiu excitada. Ruth só esqueceu de prestar atenção no alerta do sábio: ‘Só se ama aquilo que não se tem’.”

[...]

“Me tornei alheio ao drama de terceiros.”

[...]

“Decidi não mais colaborar com os laboratórios, me vinguei de forma sistemática, atrapalhando a preciosa pesquisa deles. Fornecia dados fraudulentos, alegava tonturas, dores no peito que não existiam. Me revelei um rato anárquico, perigoso, que planejava destruir a megalomania científica dos reguladores de humor, frustrar o delírio dos que pretendiam controlar meu desespero. Tive uma melhora considerável nesse período, gostava de ver a surpresa do doutor diante do quadro que eu descrevia. Estava na cara que o Péricles estava perdido. E, mesmo antes, quando eu ainda não blefava sintomas, ele também estava perdido. Um clínico saberia diagnosticar uma pancreatite fingida, mas o psico Péricles seguia à risca as estatísticas americanas, as tabelas de comportamento da Pfizer, da Roche, sem perceber que eu fazia o que o homem faz desde que se entendeu por gente: eu mentia e me divertia. Não há remédio pra isso.”

[...]

“...tatibitate estereofônico...”

[...]

“Combatia um demônio chamado civilização.”

sábado, 15 de fevereiro de 2025

solene terreno imenso

 




Leste Vila Nova, MAI/23

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"a dureza real de quem é pedra
que a volúpia do atrito lapida
esse brilho tenaz que quase cega
é ventura do ventre da ferida"

[...]

"natureza tão sólida de tinta
que o frágil atrito transporta
esse risco voraz te faz faminta
e a rasura te move em linha torta"

[...]

"do ser ao pó é só carbono
solene, terreno, imenso
perene, pequeno, humano."

sábado, 8 de fevereiro de 2025

Patrício, o vendedor de bananas

 


Ilhéus-BA, OUT/24


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Os Incríveis - Vendedor de bananas

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"...olha a banananananica,
olha a bananamamaçã..."

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Ouro, Prata, Da Terra, Figo, São Tomé, D'água...

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Ouro e Prata tá difícil.
Tem categoria Bronze?

***

Patrício foi ali e já volta.
Vai escolhendo, freguesa.

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Jorge só Ben, puro e belo, mas esqueceu de catalogar a banananinaninanina, de Antonina.

Antonina-PR, JUN/2019

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Mas aí já são outros vendedores, outra freguesia:

Bananeira Brass Band - Canta Galo

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"O galo cantô moçada, vâmo trabalhá."

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"Eu sou um menino que precisa de dinheiro."

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[#potassioneles]

sábado, 1 de fevereiro de 2025

Música/Cinema Salva(m)! (50): deep seek in your heart

O passado é um animal grotesco.

I'm Here, 2010
Spike Jonze

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"Man is a robot with defects"
Emil Cioran

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"the past is a grotesque animal
and in its eyes you see
how completely wrong you can be
how completely wrong you can be"

O passado mostrará.
O amanhontem nos dirá.

***

The Past Is a Grotesque Animal
of Montreal

The past is a grotesque animal
And in its eyes you see
How completely wrong you can be
How completely wrong you can be
The sun is out, it melts the snow that fell yesterday
Makes you wonder why it bothered
I fell in love with the first cute girl that I met
Who could appreciate Georges Bataille
Standing at Swedish festival discussing "Story of the Eye"
Discussing "Story of the Eye"
It's so embarrassing to need someone like I do you
How can I explain, I need you here and not here too
How can I explain, I need you here and not here too
I'm flunking out, I'm flunking out, I'm gone, I'm just gone
But at least I author my own disaster
At least I author my own disaster
Performance breakdown and I don't want to hear it
I'm just not available
Things could be different but they're not
Things could be different but they're not
The mousy girl screams, "Violence! Violence!"
The mousy girl screams, "Violence! Violence!"
She gets hysterical because they're both so mean
And it's my favorite scene
But the cruelty's so predictable
It makes you sad on the stage
Though our love project has so much potential
But it's like we weren't made for this world
(Though I wouldn't really want to meet someone who was)
Do I have to scream in your face?
I've been dodging lamps and vegetables
Throw it all in my face, I don't care
Let's just have some fun
Let's tear this shit apart
Let's tear the fucking house apart
Let's tear our fucking bodies apart
But let's just have some fun
Somehow you've red-rovered the gestapo circling my heart
And nothing can defeat you
No death, no ugly world
You've lived so brightly
You've altered everything
I find myself searching for old selves
While speeding forward through the plate glass of maturing cells
I've played the unraveler, the parhelion
But even apocalypse is fleeting
There's no death, no ugly world
Sometimes I wonder if you're mythologizing me like I do you
Mythologizing me like I do you
We want our film to be beautiful, not realistic
Perceive me in the radiance of terror dreams
And you can betray me
You can, you can betray me
But teach me something wonderful
Crown my head, crowd my head
With your lilting effects
Project your fears on to me, I need to view them
See, there's nothing to them
I promise you, there's nothing to them
I'm so touched by your goodness
You make me feel so criminal
How do you keep it together?
I'm all, all unraveled
But you know, no matter where we are
We're always touching by underground wires
I've explored you with the detachment of an analyst
But most nights we've raided the same kingdoms
And none of our secrets are physical
None of our secrets are physical
None of our secrets are physical now

***


E a gente bem que podia dançar essa qualquer hora, hein!?
Yep, always in a electro-pop style, like a robot from 1984.

***

"The price of anything is the amount of life you exchange for it."
Henry David Thoreau