quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Para quando



 ...onírico e certeiro...

Título da obra:
 Para quando sua sapatilha meia-ponta para ballet e jazz encontrar minha jugular ou fechar minha glote em um movimento preciso, calculado, onírico e certeiro (ou 
Fatality Double Flawless).

Técnica:
Polpa de maracujá batida e 
acetato de dexametasona sobre lenço de algodão reutilizável ecológico para bebê

***

Guardei por muito tempo esse título e essa capa para o que seria o meu primeiro livro.
Acho até que cheguei a registrar na Biblioteca Nacional, com medo de que alguém tivesse a mesma trivial ideia.
Até que um dia percebi que seria difícil demais preencher as páginas tendo isso como mote para o enredo central.

("Muito videogamístico", segundo um editor imaginário.)

Não cheguei a completar duas linhas.
Na verdade, acho que nem cheguei a tentar.

E aqui a lição talvez seja: nunca comece uma história por um título.
Ou: nunca comece um livro pela capa.
Ou: nunca comece nada.

Apenas vá lá e faça.

***

Ou, nas palavras do Mortal Kombat:

...just fucking

...finish him.

***

Para outros fatalities, babalities e friendships, vide também:

Nem chegar a tentar é garantia total de Flawless Victory.

***

Beijos.

sábado, 20 de fevereiro de 2021

é nosso



"há sempre aquele espaço ali
pouco antes de nos pegarem
aquele espaço
aquele belo relaxante
o respiro
quando estamos, digamos,
desabados numa cama
pensando em nada
ou digamos
enchendo um copo com água da
torneira
quando estamos enlevados pelo
nada

aquele
espaço
puro e suave

vale

séculos de
existência

digamos

só pra você coçar o pescoço
ao contemplar pela janela um
galho nu

aquele espaço
ali
antes de nos pegarem
garante
que

quando pegarem
não vão
pegar tudo

jamais.
"


***

[Você fica tão sozinho às vezes que até faz sentido]
- Charles Bukowski -

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Carnaval dos animais

 
Quarta...

O carnaval de Arlequim - Miró

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O mundo em uma gota de água do mar - Liittschwager 

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"...let me fall out of the window with confetti in my hair..." - Waits

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Carnaval dos Animais - Saint-Saëns

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Hémione: Animaux véloces

***

Animais
Velozes

***

...de cinzas.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Das Ilhas de Sodade



"Quem mostra' bo
Ess caminho longe?
Ess caminho
Pa Sã Tomé
Sodade
Dess nha terra d’Sã Nicolau
Si bô 'screvê' me
'M ta 'screvê be
Si bô 'squecê me
'M ta 'squecê be
Até dia
Qui bô voltá”

***

Música: Sodade (1954)
Gravação inspirada na versão do disco "Miss Perfumado" (1992), de Cesaria Evora.

***

E, no fim, não é que o Amândio armou pro Armando?

(Por décadas...)

Sodade - Amândio Cabral

***

Cesaria Evora - Sodade

***

E da morna Sodade de uma Sodade nada morna.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2020

O cometa


"fera dos palácios"


Música: O cometa
Compositor: Rodrigo Amarante
Álbum: Cavalo (2013)

***

"peste dos jardins"

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

Sorriso que te visite...


...a brisa que te beija.

***

"Seja meu versejar
Cantar como quem resiste
Resistir como quem deseja."


***

Música: Tristeza Não
Compositores: Alice Ruiz e Itamar Assumpção

***

"Não
Tristeza não
Corre, anda, rasteja
Peleja sim, coração
Em busca da beleza"

***

Sempre, sempre, sempre em busca.

***

Alice e Itamar.
💖

***



Alzira e Itamar.
Também 💖.

sábado, 17 de outubro de 2020

As long as a rooster crows

 I...

***

Music: I Never Get Lonesome
Composer: Arthur Russell
Álbum: Iowa Dream (2019)

***






...never.

sábado, 10 de outubro de 2020

"Por la noche hasta la mañana"


...Yegua vieja...


***

Música: Cristobal
Compositor: Devendra Banhart
Álbum: Smokey Rolls Down Thunder Canyon (2007)

***

"Hay un mundo mas alla
Otro mundo mas alla"

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"Aguantate que fui."

sábado, 26 de setembro de 2020

É uma bomba!


Mais Itamar pra celebrar mais Itamar:

Tarde, muito tarde, mas ainda um pouquinho antes do nunca.
 
Música: Tua boca
Compositor: Itamar Assumpção 
Álbum: Bicho de 7 cabeças - Vol. III - Itamar Assumpção e as Orquídeas do Brasil (1993)

***






***


"Tua boca"
Itamar Assumpção e as Orquídeas do Brasil.

***


sábado, 19 de setembro de 2020

depois de leve oscila

"A fe li ci da de é co mo a..."

 
Música: A felicidade
Compositores: Tom Jobim e Vinicius de Moraes
Versão disco "Estudando o samba" (1976), Tom Zé

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

"In da house"


"Então vâmo lá, vai."


The House of the Rising Sun

***

"...tem sol nascendo..."
[...]
"...a cidade acabou se perdendo..."
[...]
"...eu me desencaminhei..."


Jeitinho Dela - Tom Zé

***

"...um amendoim torradinho..."

***

"...tem sol nascendo,
tem sol nascendo,
tem sol nascendo..."

sábado, 5 de setembro de 2020

Sola, perduta, abbandonata


...deserta donna...
...beltà funesta...

Música: Sola, Perduta, Abbandonata
(ópera Manon Lescaut de Giacomo Puccini)

Arranjo violão: Christopher Spelman
("Two Lovers" - James Gray, 2018)

***

Callas e escuttas:

Maria Callas - Sola, perduta, abbandonata

Linda, linda, linda!
💖

***

"Sola, perduta, abbandonata
In landa desolata!
Orror!
Intorno a me
S'oscura il ciel...
Ahimè, son sola!

E nel profondo deserto io cado,
Strazio crudel
Ah! Solo abbandonata
Io, la deserta donna!

Ah! Non voglio morir!
No, non voglio morir!

Tutto dunque è finito.
Terra di pace me sembrava questa
Terra di pace
Me sembrava questa

Ahi! Mia beltà funesta,
Ire novelle accende
Strappar da lui mi si volea
Or tutto il mio passato
Orribile risorge,
E vivo innanzi al guardo mio si posa.
Ah! di sangue s'è macchiato.

Ah!

Tutto è finito!
Asil di pace
Ora la tomba invoco

No!
Non voglio morir...
Non voglio morir!
No, no, non voglio morir
Amore, aita!"

***

Arranjo: Christopher Spelman 
"Two Lovers"
(James Gray, 2008)

domingo, 30 de agosto de 2020

Configuração padrão natural

 

“Como ter uma vida adulta confortável, próspera e respeitável sem estar morto ou inconsciente, sem ser escravo da própria cabeça e da configuração padrão natural que nos condena a estar singular, completa e imperialmente sozinhos dia após dia.”

***

Configuração: padrão.

***

"Agora tenho 33 anos de idade e sinto que muito tempo passou e vai passando mais rápido a cada dia. Dia após dia preciso fazer todo tipo de escolhas sobre aquilo que é bom, importante e divertido, e depois preciso conviver com o confisco de todas as outras opções que essas escolhas eliminam. E começo a perceber que à medida que o tempo ganhar ímpeto minhas escolhas vão se dar num campo mais estreito e as eliminações serão multiplicadas em ritmo exponencial até eu chegar a algum ponto de algum ramo qualquer dentre as suntuosas ramificações complexas da vida onde estarei completamente trancado e cravado num único caminho e o tempo passará voando por mim em fases de estase, atrofia e decadência até eu cair pela terceira vez, toda a luta em vão, afogado pelo tempo. É apavorante. Mas como serei trancado pelas minhas próprias escolhas, parece inevitável – se desejo ser adulto de algum jeito, preciso fazer escolhas e lamentar eliminações e tentar viver com isso.”
[...]
 “O grande truque é manter a verdade na superfície da consciência em nossas vidas cotidianas. Quem venerar o poder vai se sentir fraco e amedrontado, e precisar de cada vez mais poder para conseguir afastar o medo. Quem venerar o intelecto, ser visto como inteligente, vai acabar se sentindo burro, uma fraude na iminência de ser desmascarada. E por aí vai.
Essas formas de venerar são traiçoeiras não por serem malignas ou pecaminosas, mas por serem inconscientes. São configurações padrão.”
[...]
“O tipo realmente importante de liberdade requer atenção, consciência, disciplina, esforço e a capacidade de se importar genuinamente com os outros e de se sacrificar por eles inúmeras vezes, todos os dias, numa miríade de formas corriqueiras e pouco excitantes. Essa é a verdadeira liberdade. Isso é ter aprendido a pensar. A alternativa é a inconsciência, a configuração padrão, a “corrida de ratos” – a sensação permanente e corrosiva de ter possuído e perdido alguma coisa infinita.”

***

“...o ar parece lã molhada..."

"...a mente da terra..."

"...cruzas intrincadas c/ temperamentos artísticos inquietos..."

"...fedem de um jeito todo especial, encorpado, biótico..."

"...é um cheiro ao mesmo tempo vomitoso e excrementício..."

"...alienação-espiritual-da-terra-enquanto-fábrica..."

"...100% homem, irradiando seu entendimento de rebanhos..."

"...crianças de fazenda, crianças profundamente rurais..."

"...bronzeado terroso e estritamente profissional..."

"...espírito da fazenda..."

"...obviedade comovente..."

"...uma economia do espírito..."

"...teste bíblico computadorizado..."

"Não ande, corra até o salão de sapateado com tamancos de madeira mais próximo."

"Há uma certa atmosfera no salão - não racista, mas agressivamente branca."

"...pancadarias sancionadas..."

"...subtexto digestivo..."

“É no Vale que me bate com mais força a certeza de que já não possuo um espírito do Meio-Oeste e de que não sou mais jovem – não gosto de multidões, gritos, barulho alto e calor. Suporto essas coisas se for necessário, mas elas não representam mais a minha ideia de uma Atração Especial ou de um intervalo comunitário sagrado.”

"...um rancor potencialmente vitalício..."

"...família marítma..."

"...muco náutico..."

"...estrutura psicoesquelética mais básica..."

"...no esqueleto de toda a história..."

"...uma lista mental de insatisfações e ressentimentos que começaram insignificantes mas logo se tornaram quase indutores de desespero..."

“A biblioteca do Nadir conta com jogos de xadrez vagabundos da Parker Brothers, com peças ocas de plástico que garantem o deleite de qualquer bom enxadrista.*
[...]
*Peças caras, pesadas e esculpidas artisticamente são coisas de babaca.”

“...ser um pouco menos arrogante, ter um pouco mais de “consciência crítica” a respeito de mim mesmo e minhas certezas... pois no fim das contas uma porcentagem enorme das coisas a respeito das quais estou inclinado a automaticamente ter certeza acaba se revelando ilusória ou completamente equivocada."

***

"Ficando longe do fato de já estar meio que longe de tudo"
- David Foster Wallace -

domingo, 9 de agosto de 2020

Mudo

 
Quando estou longe, loooooonge...


Música: Apaixonite aguda
Compositor: Itamar Assumpção
Álbum: Pretobrás - Por que que eu não pensei nisso antes? (1998)

***


A Caixa Preta

***

...mudo.

domingo, 26 de julho de 2020

Um visitante num jardim de mictórios e penicos esmaltados...


...na melhor das hipóteses.

Essa ideia já tinha me ocorrido também, Sal.
Mas nunca soube exatamente como descrever.

***

“Fui invadido à força pela ideia de que, por mais que um dia eu pudesse aprender a viver a vida de maneira tranquila, sensata ou elegante, eu seria sempre, na melhor das hipóteses, um visitante num jardim de mictórios e penicos esmaltados, com uma divindade-manequim de madeira, sem olhos, postada logo ao lado, usando uma cinta para hérnia que estava em promoção.”

***

"E sempre esperando, esperando uma oportunidade decente de provocar pavor e admiração no coração medíocre mais próximo de nós."

***

“Então o cacique tomou as rédeas da situação, revelando um talento antes oculto para a incompetência.”

***

“Marujo não chora, meu bem. Marujo nunca chora. Só quando o navio afunda. Ou quando ele vira náufrago, de jangada e tudo, sem nada para beber a não ser – ."

***

“...aqueles olhos de contar plateia...”

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“Não foi a observação de uma espertinha, mas sim de uma devota da verdade, ou da estatística.”

***

“Escolher um pseudônimo me consumiu quase o mesmo tempo que a escrita de toda a carta.”

***

“O fato fica sempre óbvio tarde demais, mas a mais singular diferença entre a felicidade e a alegria é que a felicidade é um sólido e a alegria um líquido.”

***

“A pior coisa que ser um artista poderia fazer por você seria deixa-la levemente infeliz, o tempo todo.”

***

“Se você ainda não respondeu à minha carta, por favor, continue se abstendo. É possível que eu estivesse equivocado e nesta altura da minha vida eu não procuro por vontade própria a desilusão. Estou disposto a permanecer no escuro.”

***

“Não sei. Os poetas sempre levam o tempo para o lado pessoal. Eles vivem metendo as emoções deles em coisas que não têm emoção.”

***

“Se eu fosse Deus, pode apostar que eu não ia querer que as pessoas me amassem de um jeito sentimental. É muito inseguro.”
[...]
“O que eu quero dizer é que eles não parecem capazes de amar a gente como a gente é. Eles não parecem capazes de amar a gente a não ser que possam ficar mudando a gente aos pouquinhos. Eles amam os motivos que têm para amar a gente quase tanto quanto amam a gente, e normalmente mais. Assim não é tão bom.”

***

"Nove Histórias"
- J. D. Salinger -

sábado, 11 de julho de 2020

nesse golpe do galope que o envelope engole cada gole


Eu preciso.

***

Música: Carta
Compositor: Tom Zé
Disco: Correio da Estação do Brás (1978)

***

Carta - Tom Zé
Correio da Estação do Brás (1978)

Essa era a Carta de 1978, que foi postada com toda a merecida angústia no Correio da Estação do Brás.

Em 1998 ela ganhou o pronome possessivo no envelope e foi reendereçada à penúltima casa daquela rua que nascia lá No Jardim da Política.

Algumas pequenas diferenças, palavras novas aqui e ali, mas a mensagem e a angústia, essencialmente, as mesmas.

Todos os inúmeros ais e uis devidamente registrados e com aviso de recebimento, envelopados nessas duas poesias lindas.

Minha Carta - Tom Zé
No Jardim da Política (1998)

"Nesse golpe do galope
que o envelope engole
cada gole
cada gole da lembrança
vale um tesouro
é besouro
é besouro que se bate
sempre na vidraça
quando passa
quando passa em pensamento
volta na saudade
toda tarde.

Eu preciso mandar,
mandar notícia."

***

Não é de querer.
É de precisar.
É da urgência.
É da víscera.

***

E nesse campo de mudar uma letra aqui e outra ali, coisa parecida aconteceu com o pobre Jimmy, que se rendeu em 1970 e dois anos depois era só dor e dor:

Jimmy, Renda-se
(Tom Zé / Valdez)
1970

***

Dor e Dor
(Tom Zé)
1972

***

"Mas eu te espero
na porta das manhãs porque
o grito dos teus olhos
é mais e mais e mais
e depois que você partiu
o mel da vida apodreceu na minha boca
apodreceu na minha boca
Oh, oh, oh, oh, oh"

***

"Mastigo dor e dor."

***

"Um bezerro santo
Uma nota triste."

***

Mastigo. Rumino.
ô, ô, ai, ui, oh, oh...

***

"A vida é feita de choros, fungados e sorrisos, com as fungadas predominando."
- O. Henry.

sábado, 4 de julho de 2020

Let's get lost / let's defrost



Lembra da época?
1999.

Música: Road Trippin'
Banda: Red Hot Chili Peppers
Álbum: Californication (1999)

***

Naquele futuro (ingenuamente realizável) todas as muitas 'road trippins' ainda por vir...

O Big Sur tá lá, esperando até hoje (e ainda por um bom tempo).

Por hora, concentrados nos 'snacks and supplies'; em 'staying high and dry's'.

Os 'allies', em sua grande maioria, foram virando parte de uma cambada de uns grandessíssimos de uns bostas-ralas-tanga-frouxa-fila-da-p*ta.

E 'favorites'...
...'favorites' é uma palavra muito forte, pesada.

Mas pelo menos o sol, quando não tá muito nublado - como em um dia azul bonito desses - a gente ainda consegue ver de longe, sem precisar nem querer pegar.

E as estrelas, ah, vâmo beber essas danadas todas essa noite!

Pouco 'hot', eu sei, mas sempre muito, muito 'red'.

But now,
now
"it's time to steal away".

***


"Love my garden!"

Só porque
fru
ti
fi
ca.

***

E por falar em 'get lost',
'let's defrost':

Chet Baker - Let's get lost

***

"Let's get lost, lost in each other's arms
Let's get lost, let them send out alarms"

[...]

"Let's tell the world we're in that crazy mood.
Let's defrost in a romantic mist"

[...]

"To celebrate this night we found each other, hummm, let's get lost..."

***

"Just a mirror for the sun":


"Let's get lost / let's defrost."