Nu vem que nu tem!
terça-feira, 2 de junho de 2015
quinta-feira, 28 de maio de 2015
WITH THE ANIMAL
Creio que poderia transformar-me e viver com os animais.
Eles são tão calmos e donos de si.
Detenho-me para contemplá-los sem parar.
Não se atarantam nem se queixam da própria sorte,
Não passam a noite em claro, remoendo suas culpas,
Nem me aborrecem falando de suas obrigações para com Deus.
Nenhum deles se mostra insatisfeito, nenhum deles se acha dominado pela
mania de possuir coisas.
Nenhum deles fica de joelhos diante de outro, nem diante da recordação
de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos.
Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo o amplo mundo.
(Walt Whitman)
(Walt Whitman)
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quarta-feira, 27 de maio de 2015
WITH THE MAN
aqui
no oeste
todo homem tem um preço
uma cabeça a prêmio
índio bom é índio morto
sem emprego
referência
ou endereço
tenho toda a liberdade
pra traçar meu enredo
nasci
numa cidade pequena
cheia de buracos de balas
porres de uísque
grandes como o grand canyon
tiroteios noturnos
entre pistoleiros brilhantes
como o ouro da califórnia
me segue uma estrela
no peito do xerife de denver
(Paulo Leminski)
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sábado, 23 de maio de 2015
Os devaneios do caminhante solitário
Como sei que muitos não têm tempo de chegar ao fim de um texto extenso como este, já facilito de cara e começo logo pela moral da história, que é a seguinte:
"Vâmo-bora herborizar com um pouco mais de afinco?!"
***
Todo solitário fica propenso ao devaneio, mas poucos sabem devanear com maestria.
Nem todo solitário herboriza. Herborizar não faz ninguém "viral".
***
Todo solitário fica propenso ao devaneio, mas poucos sabem devanear com maestria.
Nem todo solitário herboriza. Herborizar não faz ninguém "viral".
***
O Jean-Jacques já não era nenhum jovenzinho quando me escreveu estas coisas e, mesmo assim, embora tenha me feito aborrecido em alguns momentos, foi capaz de estar muito além de qualquer expectativa.
Como marquei quase todo o livro, registro só o que foi sorteado. De sorte, o que mais me interessa, claro, que neste mundo de bocejo, o interessante é sorte.
O Jean-Jacques já não era nenhum jovenzinho quando me escreveu estas coisas e, mesmo assim, embora tenha me feito aborrecido em alguns momentos, foi capaz de estar muito além de qualquer expectativa.
Como marquei quase todo o livro, registro só o que foi sorteado. De sorte, o que mais me interessa, claro, que neste mundo de bocejo, o interessante é sorte.
***
Sobre ser "viral" e/ou "aprender Webstandards com HTML5", o velho Jean-Jacques diz o seguinte:

“Muitos apenas queriam escrever um livro, qualquer um, contanto que este fosse bem recebido. Quando o livro estivesse pronto e publicado seu conteúdo não lhes interessava mais em nada, a não ser para fazê-lo ser adotado pelos outros e para defendê-lo em caso de ataque, mas de resto sem nada retirar-lhe para seu próprio uso, sem nem se preocupar se seu conteúdo fosse falso ou verdadeiro, conquanto não fosse refutado. Quanto a mim, quando desejei aprender foi para eu mesmo saber e não para ensinar; sempre acreditei que antes de instruir os outros era preciso começar sabendo o suficiente para si mesmo, e de todos os estudos que fiz em minha vida em meio aos homens não há quase nenhum que também não tivesse feito sozinho em uma ilha deserta onde estivesse confinado pelo resto dos meus dias.”
Sobre ser "viral" e/ou "aprender Webstandards com HTML5", o velho Jean-Jacques diz o seguinte:

“Muitos apenas queriam escrever um livro, qualquer um, contanto que este fosse bem recebido. Quando o livro estivesse pronto e publicado seu conteúdo não lhes interessava mais em nada, a não ser para fazê-lo ser adotado pelos outros e para defendê-lo em caso de ataque, mas de resto sem nada retirar-lhe para seu próprio uso, sem nem se preocupar se seu conteúdo fosse falso ou verdadeiro, conquanto não fosse refutado. Quanto a mim, quando desejei aprender foi para eu mesmo saber e não para ensinar; sempre acreditei que antes de instruir os outros era preciso começar sabendo o suficiente para si mesmo, e de todos os estudos que fiz em minha vida em meio aos homens não há quase nenhum que também não tivesse feito sozinho em uma ilha deserta onde estivesse confinado pelo resto dos meus dias.”
***
Sobre “a-felicidade-do-pobre-parece-a-grande-ilusão-do-carnaval”, ele diz assim:

“A felicidade é um estado permanente que não parece feito para o homem neste mundo. Tudo na terra está em um fluxo contínuo que não permite a nada assumir uma forma constante. Tudo muda a nossa volta. Nós mesmos mudamos, e ninguém pode garantir que amará amanhã aquilo que ama hoje. Assim, todos os nossos projetos de felicidade nessa vida são ilusões. Aproveitemos o contentamento do espírito quando este ocorre; evitemos afastá-lo por erro nosso, mas não façamos projetos para acorrentá-lo, pois tais projetos são puras tolices. Vi poucos homens felizes, talvez nenhum, mas muitas vezes vi corações contentes, e de todos os objetos que me marcaram este é o que por minha vez mais me contentou. Creio que se trata de uma decorrência natural do poder das sensações sobre meus sentimentos internos. A felicidade não apresenta sinais externos; para conhecê-la, seria preciso ler o coração do homem feliz; porém, o contentamento pode ser lido nos olhos, na postura, no tom, no andar, e parece ser comunicado àquele que o percebe. Haverá prazer mais doce que ver um povo inteiro se entregar à alegria em dias de festa e todos os corações se iluminarem aos raios expansivos do prazer que passa de maneira rápida, mas intensa, pelas nuvens da vida?”
***
E por fim, sobre ser um ficcionista, nos diz:

“[...] mentir é esconder uma verdade que devemos revelar. Decorre desta definição que calar uma verdade que não somos obrigados a dizer não é mentir.”
“Mentir sem proveito ou prejuízo para si ou para outrem não é mentir:
não é mentira, é ficção.”
“Decorre de todas essas reflexões que a declaração de veracidade que fiz a mim mesmo se baseia mais em sentimentos de retidão e equidade do que na realidade das coisas, e que na prática segui mais os comandos morais de minha consciência do que as noções abstratas de verdadeiro e falso.”
***
“Decorre de todas essas reflexões que a declaração de veracidade que fiz a mim mesmo se baseia mais em sentimentos de retidão e equidade do que na realidade das coisas, e que na prática segui mais os comandos morais de minha consciência do que as noções abstratas de verdadeiro e falso.”
***
BONUS TRACKS:
Sobre “a-felicidade-do-pobre-parece-a-grande-ilusão-do-carnaval”, tem esses mestres faixa-preta aqui que também souberam capturar o espírito:
(A Felicidade - O Jobim fez a música, o Vininha fez a poesia e o Tom Zé captou a mensagem)
"...em busca da madrugada, falem baixo por favor..."
***
Enfim, como prometido nas primeiras linhas, a moral da história:
Vâmo herborizar com um pouco mais mais afinco?!
(Os devaneios do caminhante solitário - Jean-Jacques Rousseau)
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quarta-feira, 20 de maio de 2015
Dia de aventura!
“Alguns indivíduos sentem muita dificuldade em manter a sua mente aberta à experimentação, e, na realidade, a ciência de uma geração logo se transforma na tradição da seguinte.”
(Bertrand Russell)
“Particularmente nociva é a sujeição à rotina ao longo de toda uma existência. A vida não deveria ser tão rigorosamente controlada nem tão metódica. Nossos impulsos, quando não fossem efetivamente destrutivos ou danosos aos outros, deveriam, se possível, ter curso livre; deveria haver espaço para a aventura. Deveríamos respeitar a natureza humana, na medida em que nossos impulsos e desejos constituem o material do qual deve ser feita a nossa felicidade.”
“Particularmente nociva é a sujeição à rotina ao longo de toda uma existência. A vida não deveria ser tão rigorosamente controlada nem tão metódica. Nossos impulsos, quando não fossem efetivamente destrutivos ou danosos aos outros, deveriam, se possível, ter curso livre; deveria haver espaço para a aventura. Deveríamos respeitar a natureza humana, na medida em que nossos impulsos e desejos constituem o material do qual deve ser feita a nossa felicidade.”
(Bertrand Russell)
***
(The Office)
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
Tertuliano
"O caos é uma ordem ainda por decifrar."
(Atualizado em 18 de novembro de 2017)
***
{Olá Ficcionista do passado. Eu sou o Ficcionista do seu futuro (o meu presente, o passado de outro Ficcionista, etc, etc, etc...). Estou em novembro de 2017 e voltei aqui só pra complementar o post com essa passagem do livro que você ainda não conhecia em 2015:
"Ficaram parados a olhar-se. Lentamente, como se lhe fosse penoso arrancar-se desde o mais fundo do impossível, a estupefação desenhou-se no rosto de Antônio Claro, não no de Tertuliano Máximo Afonso, que já sabia o que vinha encontrar."
Aproveito pra dizer que esta mensagem que você escreveu aqui há mais de dois anos acaba de ser complementada com mais um daqueles nossos posts repetitivos, longos, prolixos, enfadonhos, cheios de prints, citações, autoindulgência, remorsos, culpas, hipocrisia, etc, etc, etc...
Se ainda tiver estômago pra isso, o caminho é esse aqui.
Aproveitando a oportunidade, pelo que me lembro, seu cabelo já está um pouco maior do que o normal nessa época e - por desinteresse, displicência e falta de amor próprio - você decidiu não fazer nada a respeito. Bom, te aviso que até hoje ele não foi cortado e continua tão horrivelmente péssimo quanto na época da faculdade. O problema é que eu não consigo cortar - por preguiça e em consideração a você, que aguentou as piores fases. Sendo assim, se for possível, livre-me do peso dessa decisão e procure um barbeiro agora mesmo. No que depender de mim, pode passar a máquina.
Ah, e não jogue no bicho ou aposte em cavalos pelos próximos dois anos. Todas as suas escolhas foram péssimas e você só perdeu dinheiro.
É isso. Bom revê-lo. Abraço, garoto, boa sorte pelos próximos dois anos.}
domingo, 10 de maio de 2015
Trigodes
“As pessoas convencionais ficam furiosas com aquilo que se afasta da norma, principalmente, porque julgam tais desvios como uma crítica contra elas, mas perdoarão muitas excentricidades a quem se mostre tão simpático e amistoso que deixe claro, até para os mais idiotas, que não tem a intenção de criticá-las.”
(Bertrand Russell)
***
“Quando o ambiente é estúpido, cheio de preconceitos ou cruel, não estarmos em harmonia com ele é um mérito.”
(Bertrand Russell)
***
“A regra básica é que uma pessoa deve respeitar a opinião pública apenas o suficiente para não morrer de fome nem ir para a cadeia.”
(Bertrand Russell)
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quarta-feira, 29 de abril de 2015
I'll take the rain
"The rain come down, the rain come down."
"I used to think, as birds take wing,
they sing through life, so why can't we?"
"I'll walk alone
if given this
take wing, and celebrate the rain."
"I'll take the rain, I'll take the raaaaaain
I'll take the raaaaaaaaaaaiiiiiiiiiinnnnnn."
terça-feira, 28 de abril de 2015
domingo, 26 de abril de 2015
Fita amarela
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sexta-feira, 17 de abril de 2015
Superméin
Creio que um pouco de adrenalina não me faria mal.
Devo sair esta noite, sinto-me entediado.
- Babãe, lave já minha cuequinha vermelha!
- Mas você só tem cuecas vermelhas!
- Eu disse "JÁ", Babãe!
(Superman - Goldfinger)
"So here I am
Growing older all the time
Looking older all the time
Feeling younger in my mind
So here I am
Doing everything I can
Holdin on to what I am
Pretending I'm a superman"
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quarta-feira, 15 de abril de 2015
terça-feira, 14 de abril de 2015
Nas entrelinhas
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quinta-feira, 9 de abril de 2015
Oh, soul of mine...
"I fight for you
My love is war"
E era pra ser uma canção simples de se entender...
(Dr. Dog - How Long Must I Wait)
"I walk with you everywhere I go
But it don't seem like you know
I sang your praise like an old songbird
But I don't suppose you heard"
***
"The Battle of Baltimore was a sea/land battle fought between British and American forces in the War of 1812. American forces repulsed sea and land invasions off the busy port city of Baltimore, Maryland, and killed the commander of the invading British forces."
(Wikipedia)
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terça-feira, 31 de março de 2015
Happy
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sexta-feira, 20 de março de 2015
My Favorite Things
Quando o cachorro te rasga e quando a abelha te ferra, meu parceiro, aí, só as favorite things pra te salvar...
My Favorite Things - Richard Rodgers
(Arranjo: Masatoshi Taruishi)
***
Abaixo, quem fez direito:
Julie!
(...raindrops on roses and whiskers on kittens...)
***
John!
(...snowflakes that stay on my nose and eyelashes...)
(...snowflakes that stay on my nose and eyelashes...)
Com direito a gif direto do coração:
(Coltrane-Machine!)
sábado, 14 de março de 2015
Me chamem Heathcliff!
Esse amor quase puro, esse amor semi-genuíno, esse amor patriótico-itinerante e - confesso - meio longitudinalmente macabro que experimentei pela primeira e única vez na vida, se deve a esta apresentação da Kate Bush:
Ou foram esses olhões esbugalhados com esse colorido incomum, ou essa expressividade magnética, ou essa falta de receio em fazer uma careta ao encarar o âmago de uma câmera, ou tudo isso junto, em contraste com a delicadeza dos traços, a suavidade da pele, a voz penetrante, enfim...
Soube naquele momento que seria para sempre apaixonado por aquela mulher.
Então percebi o lance cafona da planta artificial brotando de dentro do piano e aí foi demais pra mim. Nem precisava tanto. Foi o tiro de misericórdia. Caí como um pato.
Quis imediatamente ler "O Morro dos Ventos Uivantes" pra ao menos tentar entender o motivo de ela ter feito essa bela canção. Quis chegar mais perto, quis construir ardilosa e sorrateiramente algum assunto pro caso da minha improvável sorte de termos, em um dia chuvoso qualquer de novembro, um encontro fortuito em um desses pubs do mundo.
E assim fiz:
Mas, não contente em apenas ler, destaquei cada pequeno trecho. Algo e qualquer coisa significativa, importante pra mim, que pudesse ser usado no dia do nosso encontro.
Coisas bobas como essas:
“Eu nunca disse ‘meu amor’ verbalmente; mas, se o olhar tem
uma linguagem, qualquer idiota adivinharia a veemência dos meus sentimentos.”
***
“Miss Cathy jogou fora o Leme
da Salvação e Heathcliff meteu o pé na primeira parte de O caminho da perdição!”
***
“- Deixe-me entrar, deixe-me entrar!
- Vim para casa; perdi o caminho da charneca!”
***
“Um homem sensato deve encontrar companhia suficiente em si
mesmo.”
***
“-Venha! Venha! – soluçava – Venha, Cathy. Mais uma vez!
Querida do meu coração, ouça-me desta vez, Catherine, enfim!”
***
“Como somos volúveis!”
***
“Era uma criaturinha selvagem, rebelde – mas tinha o olhar
mais lindo, o sorriso mais doce e os pés mais leves da paróquia.”
***
“Vociferei pragas suficientes para aniquilar qualquer
malvado em toda a cristandade.”
***
“- Nelly, faça-me ficar decente! Vou ficar bonzinho.”
***
“As pessoas orgulhosas alimentam pensamentos tristes.”
***
“- O senhor não devia ficar na cama até as dez. A pessoa que
não fez metade de seu trabalho até as dez horas, corre o risco de deixar a
outra metade por fazer.”
***
“[...] mas olha só para a folhinha naquela parede [...] – As
cruzes marcam as tardes que você passou com os Linton, os pontos as que você passou comigo. Está vendo? Marquei todos os dias.
[...] – E qual a finalidade disso?
- Mostrar que eu prestei atenção – disse Heathcliff.”
***
“E como seu pai pragueja docemente em sua solidão!”
***
“...porque ele é mais eu mesma do que sou.”
***
“[...] Nelly, eu sou Heathcliff! Ele está sempre em meu
espírito, não como um prazer, do mesmo modo que não constituo sempre um prazer
para mim própria, mas como meu próprio ser.”
***
“Essa felicidade terminou. No final de contas, todos nós
temos de contar é conosco mesmo. Os bons e generosos são apenas mais sabiamente
egoístas do que os dominadores. E aquilo terminou quando as circunstâncias
levaram cada um a perceber que o interesse de um não era a principal
consideração nos pensamentos do outro.”
***
“Mas os dois se parecem muito: são crianças mimadas e pensam
que o mundo foi feito para se acomodar a sua vontade, e, embora eu faça a
vontade de ambos, acho que um bom castigo pode melhorá-los.”
***
“- Você é como um cão comendo, Cathy, e não quer que ninguém
seja amado, a não ser você!”
***
“Tendo arrasado meu palácio, não construa uma choupana e,
complacentemente, admire sua própria caridade de me dá-la para moradia.”
***
“- Se não tem coragem de atacá-lo, peça-lhe desculpas ou se
resigne a apanhar. Assim se corrigirá de fingir mais bravura que possui.”
***
“Estou com medo de dormir. Meus sonhos me apavoram.”
***
“Não ficarei ali sozinha: podem enterrar-me numa cova de 12
pés de fundura e pôr a igreja em cima de mim, mas não descansarei enquanto você
não estiver comigo. Jamais!”
***
“- Eu a obrigarei a uivar uma retratação!”
***
“Não descubro qualquer sentimento que os que me rodeiam
compartilhem comigo.”
***
“...sentada em algo pior que a solidão...”
***
“...toda a essência de loucura concentrada no mundo...”
***
“...abismo do absurdo, da perfeita idiotice...”
***
“Sei que fantasmas têm andado na terra. Sê sempre comigo...
toma qualquer forma... empurra-me à loucura! Mas não me deixes neste abismo,
onde não posso encontrar-te! Oh! Meu Deus! É indivisível! Não posso viver sem
minha vida! Não posso viver sem minha alma!”
***
“ O tempo trouxe a resignação e uma melancolia mais doce que
a alegria comum.”
***
“Um esperou e o outro desesperou: escolheram seus próprios
destinos e foram devidamente sentenciados a enfrentá-los.”
***
“Vestia suas roupas domingueiras com a fisionomia mais
triste e hipocritamente santa.”
***
“- Apenas ninguém mais deve ser bom para ele: sou zeloso em
monopolizar seu afeto.”
***
“...se eu lhe emprestasse os livros da biblioteca ele faria
o que eu quisesse...”
***
“Ele queria que tudo repousasse num êxtase de paz; eu queria
que tudo reluzisse e dançasse num glorioso jubileu.”
***
“...mas, enquanto eu continuar afetado de toda esperança e condenado à solidão ou à convivência com aqueles que não agem nem pensam de
acordo comigo, como poderei ficar alegre e satisfeito?”
***
“- Não tem livros! – exclamei. – Como consegue viver aqui
sem eles, desculpando-me a indiscrição? Embora disponha de uma grande biblioteca,
sinto-me muito entediado na Granja; se me tirarem meus livros, ficaria
desesperado!”
***
“...leia sua Bíblia como um cristão, e não se preocupe
comigo.”
***
“Um homem velho como eu não pode se acostumar com novidades!”
***
“...pois que há, para mim, que a ela não esteja ligado? E o
que não me faz lembrá-la? Não posso baixar os olhos para este chão sem que suas
feições se desenhem nas lajes! Em cada nuvem, em cada árvore, enchendo o céu à
noite e divisada em todos os objetos de dia, estou cercado por sua imagem! As
mais ordinárias fisionomias de homens e mulheres... minha própria fisionomia...
escarnecem de mim com uma semelhança. O mundo inteiro é uma terrível coleção de
lembranças de que ela existiu e de que a perdi!”
***
“ – Juntos, são capazes de desafiar Satã e todas as suas
legiões.”
***
Coisas assim.
Colecionei essas bobagens enquanto enlouquecia. Ou o contrário.
O fato é que enlouqueci.
Outra vez.
Ainda não tive a chance de dizer tudo isso pra ela, e, se tiver, nem sei se me lembraria de cada palavra. Mas gosto - ingenuamente - de crer que apenas seria suficiente me aproximar e dizer:
"-Call me Heathcliff, let have it, let me grab your soul."
Até lá, um pensamento bobo que fica é: "Como essa mulher capturou todas essas páginas em pouco mais de três minutos de letra e melodia?"
Não sei. Sinceramente, não sei.
E acho que é justamente daí que vem meu amor por ela.
Do desconhecido.
***
Pra quem aguentou até aqui, a cereja no topo do bolo:
(The Ukulele Orchestra of Great Britain)
"Heathcliff, it's me, I'm Cathy, I've come home
I'm so cold, let me in a your window"
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