quarta-feira, 31 de março de 2021
dos da national - do quintal esquecido e de local indeterminado, dois belos alguéns dançando longe daqui
domingo, 28 de março de 2021
dos da national - PING
Em uma madrugada qualquer em 1997
Trim, trim...
- Hum...
- Alô, Alonzo?!
- ...
- É o Alonzo? Do “Gás e Água do Alonzito”?
- Hummm...
- Ô rapaz, beleza? Desculpe ligar nesse horário, mas é que tô precisando demais de um favor seu.
- Hein?!
- Será que você pode me quebrar um galho?
- Mas... quem tá falando mesmo?
- Ah, aqui é o Nelson.
- Nel-quem?
- “Son”, Nel-son! Da “Nelson & Heitor Eletrônica Ltda”.
- ...
- Então, desculpe o mal jeito e o horário. Não sei se vai se lembrar, você esteve aqui outro dia pra comprar um ferro de solda, um adaptador P2 e oito metros de cabos elétricos de bitola 2,5mm.
- Sei...
- Então, eu te atendi, tá lembrado? Meu funcionário, o Andrey, tinha saído pro horário de almoço dele e eu fiquei sozinho na loja. Na hora de pagar você comentou da Epiphone que eu tenho pendurada ali na parede do fundo, do lado da estante dos componentes. Falei que era só decoração, coisa da época do colégio...
- Aham... acho que sei, o cara que curte The Kinks?
-ISSO! Sou eu mesmo. A gente conversou um pouco sobre essas bobagens, nostalgias em geral, aí você me falou que curtia um som também, mencionou que tocava marimba na banda do colégio.
- Sei, sei... acho que lembro sim...
- Então, você me deu seu cartão, “Gás e Água do Alonzito”, lembra?! Falou pra eu ligar se precisasse de gás ou água ou ambos e brincou até que a gente podia fazer um som uma hora dessas.
- Sei, lembro sim, acho que toda essa lembrança é bem específica pra mim. Mas eu não entrego agora, são duas e vinte da manhã. Só na segunda, amigo, a partir das oito.
- Então, mas a parada é séria Alonzito.
- Quê?!
- A situação é crítica, no bom sentido, mas é coisa séria. Não te incomodaria numa hora dessas se não fosse importante. Desculpe mais uma vez, mas é que eu não tenho a quem recorrer.
- Amigo, já passa das duas. Segura a onda.
- Então, o Heitor tá pronto.
- Heitor?
- Isso, o Heitor. Mencionei ele en passant naquele dia, lembra? Meu parceiro fixo de ping-pong.
- Cara, vou desligar agora, sinto muito.
- Não desliga, peraí!
- Quem diabos é Heitor, meu? Tá lôco?
- Não, foi mal, acho que falei muito en passant mesmo, é claro que você não lembra. Mas comentei que tava trabalhando com o Heitor, nesse projeto de ping-pong, mencionei o Forrest...
- Forrest?! Bicho, qual que é a tua?
- Forrest Gump, o Tom Hanks, aquele que jogava ping-pong sozinho. Comentei que tinha um projeto inspirado nele.
- Não lembro de pôrra nenhuma disso. Imagino que deve ter sido naquela hora em que eu já nem queria meu cupom fiscal, é isso? Tava numa pressa danada e...
- Sem problemas, eu entendo. Eu também ando numa correria lôca. Pois então, aconteceu de eu precisar de um favor seu hoje e esse favor tem totalmente a ver com aquele projeto. Como você foi gente boa naquele dia - discutimos afinidades - pensei que pudesse estar interessado.
- Interessado?! Interessado em que exatamente, ôôô....
- Nelson.
- Nelson. Isso. Interessado em quê, Nelson da eletrônica?
- Interessado em me trazer uns quatro galões de água de vinte litros.
- Meu!!! Sério?! Quatro galões de água às duas e meia da manhã? Por que diabos, exatamente?
- Porque eu já consegui uns caixotes com o Borges, meu parceiro que trabalhou na Ford. Ele tinha dois lá sobrando da época em que o pessoal descartou uns trecos. Ele pegou e guardou na garagem de casa...
- Para, para, para! Que doidêra é essa, bicho? Você se intoxicou com estanho ou ácido de bateria ou algo do tipo? Quer que eu mande uma ambulância?
- Ambulância não, manda a água! Já descolei os caixotes com o Borges. Agora você traz os garrafões de água e fechou o esquema. Estabilizo a mesa na altura certa e a gente pode começar a partida. E nem precisa da água, na verdade. Quero só os garrafões mesmo.
- Certo, então deixa eu ver se entendi. Você quer quatro galões de vinte litros de água, vazios, às duas e meia da manhã por conta do seu projeto com o seu sócio Heitor, que envolve ping-pong e o Tom Hanks, é isso?
- Quase isso. Na verdade, o Heitor é mais que um sócio, é meu melhor amigo. E eu não diria bem “o” Tom Hanks porque ele é só “o” ator. O lance é mais específico, de “um” papel que ele interpretou, no caso, “o” Forrest. Então, não banque o Sargento Dan, pare de rabugice, e traga logo esses galões de água, Alonzito. Garanto que vai valer a pena!
- Duzentos reais.
- Ãh?!
- Duzentos não, quinhentos. Pelos quatro galões, pra entregar agora na sua casa.
- Ok. Mas a entrega não é em casa, é na eletrônica. E, por quinhentos reais, eu quero os garrafões com a água dentro.
- Com a água?
- Isso, faz tempo que estou fechado aqui no galpão e percebi que, dentre outras necessidades, estou com uma puta sede.
- Fechado! Garrafões com água. Saio em vinte minutos.
- Perfeito! Sabia que podia contar contigo Alonzito.
- Aham... desligando...
- Uma última coisa, você tem uma câmera?
- Uma Kodak velha, mas nem sei se funciona, com sorte ainda tem filme pra um último disparo, por quê?
- Serve. É só porque eu acho que você, provavelmente, vai querer registrar essa cena.
- Você é doido, bicho.
- Só traz a câmera.
- ...
- E os galões.
- Ok.
- Com água dentro!
- tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu-tu...
FIM.
(de uma história e começo de uma grande amizade.)
***
***
Por sorte ainda havia não apenas uma pose restante no filme, mas duas.
A segunda queimou.
E eles jogaram algumas várias rodadas madrugada adentro, bebendo sofisticados drinks de água mineral ao som de muito The Kinks:
***
***
E essa história só é plausível porque gente que constrói robô pra jogar ping-pong consigo mesma tende, realmente, a ser um pouco solitária.
E também porque um dos efeitos da desidratação é demência.
***
E eu nem preciso dizer que três anos depois, quando o Tom Hanks estrelou "Cast Away", o Nelson saiu da sala de cinema e ligou imediatamente para o Alonzito, absolutamente determinado a construir um time inteiro de vôlei.
-PONG.
terça-feira, 16 de março de 2021
the newest sport, old sport - 02
Modalidade: Roda.
sábado, 13 de março de 2021
dos da national - gigantesca e monolítica

quarta-feira, 10 de março de 2021
the newest sport, old sport - 01
Prova: Dois metros rasíssimos.
Modalidade: Peito submerso.
sexta-feira, 5 de março de 2021
É PRECISO DESEJAR URGENTEMENTE VOLTAR A DESEJAR
quinta-feira, 4 de março de 2021
em quadrado de cabo a rabo
cabo
***
'- Lanternagem pesada, funilaria especializadíssima e o martelinho de ouro do Thor o deus do trovão pra dar jeito, seu Orestes, porque o estrago foi grande. E tem outra coisa, não vou mentir pro senhor não, o serviço vai ficar caro."
quarta-feira, 3 de março de 2021
Rima Salva! (43) - Slam no meio da fuça!
Porque quando a rima é foda, não precisa de outro instrumento.
Só do gogó.
E quando é foda, foda, não precisa da harmonia.
Só da mensagem.
E se é foda, foda, foda, aí é música para os ouvidos.
E de mandar com propriedade uma mensagem esse fera entende, e muito.
Tem aquele raríssimo dom de dizer TUDO.
Em segundos.
Lucas Afonso - Brincadeira tem hora
"Primeira morte de Covid no Brasil,
sinal amarelo, atenção, perigo a vista.
Quem não respeita o luto não respeita nada, viu?!
E o presidente levou humorista pra dar entrevista.
Brincadeira tem hora,
piada boa é quando todo mundo ri.
Eu acho injusto te chamarem de palhaço
que o sorriso tá escasso desde que chegou aí."
[...]
"Vinte sete anos na função de deputado
e quer chamar de vagabundo
quem luta pra ter um lar?!
Agora diz: quantos projetos aprovados?
E seu auxílio moradia mesmo tendo onde morar?"
[...]
"Eu não sei se estaria resolvido
mas com certeza estaria diferente
se na eleição o Brasil não tivesse perdido
e eleito um RACISTA! pro cargo de presidente."
"Brincadeira tem hora."
***
Muito atrasado por aqui - como de costume -, mas achando incrível como essas sábias palavras são atemporais e podem ser aplicadas com precisão cirúrgica a qualquer momento desse governo "de chacota".
Aqui, por exemplo, postado há quase um ano:
***
E eu já sei que por hora não tem jeito, porque
"mesmo assim tem boi na fila torcendo pro rei do gado."
"Mas, tudo isso vai passar e, em breve, será só memória.
terça-feira, 2 de março de 2021
Música Salva! (42) - 1993 a 2021 e rápido como um clique
“Like the legend of the Phoenix
All ends with beginnings”
...qual seria a vantagem disso?
“So let's raise the bar
And our cups to the stars”
Mas essa é só uma teoria. Com toda certeza existem várias. Como, por exemplo, a de que eles pressentiram uma nova e necessária onda ludista em que uma horda monumental de pessoas que perderam seus empregos para a pandemia e as “maravilhas” tecnológicas listadas no primeiro parágrafo desse texto se revoltariam novamente contra as máquinas, descendo o porrete nessa porcariada toda. Como robôs-espertos que são, preferiram apertar o botão da autodestruição, saída essa um pouco mais prática e digna, evitando se tornarem vítimas de todo esse derramamento de silício. Mas essa é uma hipótese que tem dois – ao menos - pontos fracos. O primeiro é que, para essa população se revoltar contra algo, seria necessário desgrudar todas essas carinhas apáticas das telas de seja lá quais tipos de dispositivos inventados ontem elas estejam acompanhando frenética e fake-newsmente. A segunda é que descer porrete em qualquer máquina atual seria bem mais difícil e frustrante do que na época do fictício e crossdesser Ned Ludd, já que hoje “tá tudo na nuvem”.
“We've come too far
To give up who we are”
Tenho outras teorias aqui, tão implausíveis quanto as anteriores, mas, antes que o texto fique ainda mais longo, acho que vou colocar minhas apostas logo na mais simples: que eles estão mais uma vez sacaneando e rindo às custas da mídia e dos fãs. Sinto que esse pode ter sido uma espécie de comportamento-padrão-meio-Andy-Kaufmaniano que eles demonstraram em algumas ocasiões desde 1993. Enquanto isso, o acesso aos discos aumenta disruptivamente nos streamings em geral (não que eles precisem disso, claro).
Mas, na eventualidade desse término ser real - o que também seria uma boa piada com a mídia e seguidores - vou só registrar mais uma bobagem aqui. Principalmente porque eu tenho muito apreço por esse disco de 2013 que rodou muito chão comigo e consequentemente me salvou. Na verdade, esse foi um ano extremamente rotativo pra mim e eles estavam ali no mp3 direto, muita paisagem passando na janela e um futuro bem incerto milhas a frente. E também me acompanharam nas pistas, claro, tanto nas de corrida quanto nas de dança (eh, robô por robô, eu também danço muito, mané!). Mas isso só quando minhas engrenagens enferrujadas e pouco avançadas, mecatronicamente falando, não me levavam a inevitáveis contusões e estiramentos - tanto dançando, quanto correndo.
Há umas semanas lembrei desse disco e que isso tinha sido há tanto tempo. Fiquei esperançoso, pensando que em breve eles deviam aparecer com algum material novo. E apareceram mesmo, com um suspeito, misterioso e evasivo adeus do tamanho de uma placa-mãe-gigantona. Do tipo: “Nem precisamos nos dar ao trabalho de dar uma satisfação pra ninguém, porque nunca demos!”
E não precisar dar satisfação pra
ninguém é libertador.
Aprecio demais essa capacidade nos robôs em geral.
Bom, enfim, acho que tá bom por hoje.
Então, na torcida pra que seja mais uma piada, deixo essa
musiquinha que (inesperado!) nem é do disco que mencionei acima, mas que é
também uma bela memória de acesso aleatório, que eu vinha escutando muito e rotativamente nesses últimos tempos.
Veridis Quo
Veri disQuo
Very Disco!
E teorias a parte, a questão que fica é: e agora, quo vadis, cacildis?
***
Ouvindo novamente, rolou até uma lágrima high-tech de alta fidelidade aqui.
domingo, 28 de fevereiro de 2021
Mais um dos da National
Em 2001 a National Geographic Brasil publicou essa revista aqui da qual, por acaso, eu tenho um exemplar sobrevivente (tão em extinção quanto os próprios motivos abordados e todo o mercado editorial magazínico impresso):
"África, a triste sina do povo bosquímano."
Ontem a "energia" acabou, tudo "descarregou" e eu desgrudei a cara da tela, acendi a lamparina e comecei a folhear essa danada, vinte anos depois. Quando falta energia e inspiração costumo recorrer muito às fotos desse pessoal, seja pra matar o tempo, ter umas ideias ou fazer uns rabiscos, alguns deles até já publicados em descuidadas postagens anteriores.
(Em síntese, tô sempre roubando descaradamente dessa fonte.)
E foi só depois de passar por todas as páginas que me toquei de que se tratava de uma edição não só de 2001, mas também lançada em outro remoto mês de fevereiro:
"...tempo, tempo, tempo, tempuuuu..."
Dentro disso, resolvi inaugurar mais uma inconstante e pouco promissora sessão por aqui, batizada: "dos da National".
***
Luz e espinhos
"Uma jornada em meio ao calor, os caminhos, os personagens e as histórias da mais rude das caatingas: o Raso da Catarina, Bahia."
Por Ronaldo Ribeiro
(Raso da Catarina, Bahia, Brasil)
"Homens e espinhos, bichos e plantas, vida e morte rondam o território do Raso. Os sertanejos erguem cercas para isolar o gado, mas, às vezes, a natureza se antecipa nessa tarefa: os bois podem ficar onde morrem, para sempre."
"O Raso, enfim, é a quintessência da caatinga - um inferno de areia, espinhos e solidão. Só não é mais ermo porque as poucas pessoas que nele vivem insistem em integrar-se ao cenário hostil. Transpiram paixão pela terra, exalam calor humano."
***
"Homens e espinhos..."
***
O maior estacionamento da américa
"O vilarejo não está completamente morto, mas parece. Em meados de julho, a temperatura não sai da marca dos 48ºC. Na rua principal, as lojas estão fechadas, com as janelas protegidas por tábuas. Impregnado de uma poeira cor de âmbar, o vento espalha folhetos sujos pelos telhados e pelo deserto."
Por Cary Wolinsky
"Quando as lojas fecham, a camaradagem se instala entre os moradores temporários."
***
"...oh, honey pie..."
Aquarela com aroma de baunilha envelhecida em barril de carvalho sobre reboco paulista de densidade de massa desconhecida.
Hoje, com um pouco de Perseverance, passou a estar um pouco mais perto de logo ali.
"...tempo, tempo, tempo, tempuuuuuuuuu...."
Tamanqueiro - Siba
pra eu caminhar no sereno,
um grande outro pequeno
pra pegada variar."
Fiquei rindo internamente desse anúncio e pensando em consultar a associação dos arqueólogos, indagando sobre a impressão deles a respeito dessa campanha na época.
Também perguntaria como eles receberiam essa mensagem hoje e se algum deles tem alguma consideração sobre esse carro.
Bom, tô com o número do telefone da associação aqui.
Acho que vou ligar mesmo.
Bora?!
***
P.S.: A menção a pelo menos três carros, sendo dois deles nos últimos dois dias é coincidência. Este blog não tem vínculo com a Volks.
sábado, 27 de fevereiro de 2021
Do escalpo
Um bom escalpo, arrancado com jeitinho e no ângulo correto, pode render o melhor tipo de troféu de guerra, entretanto, como presumido, o seu não vale nada.
Raspas de ferrugem de roda de Gol quadrado ano 1994 e purpurina envelhecida sobre panfleto de divulgação de centro catequético.
Ou mesmo lêndeas.
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021
Para quando
Para quando sua sapatilha meia-ponta para ballet e jazz encontrar minha jugular ou fechar minha glote em um movimento preciso, calculado, onírico e certeiro (ou Fatality Double Flawless).
Polpa de maracujá batida e acetato de dexametasona sobre lenço de algodão reutilizável ecológico para bebê
Acho até que cheguei a registrar na Biblioteca Nacional, com medo de que alguém tivesse a mesma trivial ideia.
sábado, 20 de fevereiro de 2021
é nosso
"há sempre aquele espaço ali
pouco antes de nos pegarem
aquele espaço
aquele belo relaxante
o respiro
quando estamos, digamos,
desabados numa cama
pensando em nada
ou digamos
enchendo um copo com água da
torneira
quando estamos enlevados pelo
nada
aquele
espaço
puro e suave
vale
séculos de
existência
digamos
só pra você coçar o pescoço
ao contemplar pela janela um
galho nu
aquele espaço
ali
antes de nos pegarem
garante
que
quando pegarem
não vão
pegar tudo
jamais."
***
- Charles Bukowski -
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Carnaval dos animais
Quarta...































