quinta-feira, 11 de outubro de 2018

No horizonte de eventos: o fim do próprio tempo


Acho que talvez não houvesse momento mais buraco-negrístico do que esse pra retomar esse assunto. O cenário está calibrado a infinitos graus negativos na escala ‘sinistro-tenebroso’. Bom, pra mim pelo menos, é ali que o ponteiro tá estacado. Mas, como tenho visto muita gente feliz/ingênua, satisfeita/ignorante e ansiosa/estúpida com as perspectivas que começam a se concretizar no horizonte de eventos, vou só sussurrar baixinho pra mim mesmo aqui, da solidão e do escuro desse meu buraco. No entanto, correndo o risco de ter alguma dor de cabeça, ainda quero tentar falar um pouco mais sobre isso em telegramas futuros, vâmo vê...

Por hora, a ideia é falar mais uma vez e rapidinho do Stephen, o rei, mas não o rei dos mistérios da ficção - que é um outro King - mas sim, o rei dos mistérios do planeta (aê, baianos!).
Isso aí mesmo: o HawKing.


KING!

Mas vou fazer muito melhor do que burramente falar sobre os assuntos dele, como da última vez. Vou deixá-lo falar por si mesmo:

“Dizem às vezes que a realidade é mais estranha que a ficção. Em nenhum lugar isso é mais verdadeiro que no caso dos buracos negros. Os buracos negros são mais estranhos que qualquer coisa já sonhada por escritores de ficção científica, mas são fatos do mundo da ciência.”

Loucura, né?! Acho que já li algo parecido em algum lugar, não estou bem certo. Mas é mais assustador quando tem ciência envolvida. Lembra? “Jamais proclamar o nome da ciência em vão”, pois é... Aqui a parada é séria, meu parceiro, é quando uma estrelinha se contrai de cólicas intestinais fortíssimas até se transformar em um único ponto de densidade infinita, a singularidade, que “assinala o fim do próprio tempo.”

“...densidade infinita; singularidade...”: veja, aí já é poesia.

Mas, continuamos com esse sagaz monarca lá das bandas do Reino Unido:

“De fora não dá pra dizer o que há dentro de um buraco negro. Você pode jogar aparelhos de TV, anéis de diamante ou até seus piores inimigos dentro de um, mas o buraco negro só vai lembrar sua massa total, seu estado de rotação e sua carga elétrica.”

Viu que sinistro, fera?! Você pode até jogar todos os minions do universo (criaturas detestáveis!) em sacrifício ali dentro. O buraco negro não sabe nada de história, nem tem visão perspectiva, não tá nem aí pra fatos ou consequências, ele engole sem dó.
E é insaciável, o danado...

Trilha-sonora-abre-parêntese:
A minha banda-cientista favorita canta o seguinte a respeito:

“We'd been filling it with garbage as long as you could count
Kitchen scraps and dead cows, tractors broken down
But never did I hear one thing hit the ground
And slowly I came to fear that this was a bottomless hole.”
(The Handsome Family - The Bottomles Hole)

Fecha-trilha-sonora-parêntese e voltando ao HawKing:

“O buraco negro tem uma fronteira chamada horizonte de eventos. Nesse lugar a gravidade é forte o bastante apenas para puxar a luz de volta e impedir que escape. Como nada pode viajar mais rápido que a luz, tudo o mais também é puxado. Cair no horizonte de eventos é um pouco como descer as cataratas do Niágara numa canoa.”

“Se você cai em um deles primeiro com os pés, a gravidade os puxa com mais força que sua cabeça, porque eles estão mais próximos do buraco negro. Como resultado, você é esticado longitudinalmente e esmagado lateralmente. Se a massa do buraco negro for algumas vezes maior que a do nosso sol, você será dilacerado e transformado em espaguete antes mesmo de chegar ao horizonte.”

“No espaço, ninguém pode ouvir você gritar; e, em um buraco negro, ninguém pode ver você desaparecer.”

“Ele [o buraco] não pode emitir nada, não pode emitir calor.”

Pois é, triste o cenário do buraco negro, né?! Triste e assustador e outros adjetivos dramáticos mais que, por hora, prefiro não gastar.

Infelizmente, o horizonte de eventos próximo indica que sejamos todos sugados pra dentro desse buraco sinistro. E o que é pior, por vontade própria e rindo pras estrelas.
Insano!
A mediocridade é insana!

Mas, como todo bom monarca, nosso Stephen não só nos traz o problema, mas nos dá uma ponta de esperança, que, quem sabe, seja nosso único alento por um bom tempo:

“...um buraco negro não precisa ser uma via de mão única para um beco sem saída.”

“Minha mensagem aqui, então, é que os buracos negros não são tão negros quanto se diz. Não são as prisões que um dia se conjecturou. As coisas podem sair de um buraco negro, tanto neste universo quanto possivelmente em outro.
Assim, se você sente que está em um buraco negro, não desista: existe uma saída!”

Melhor e mais inteligente do que precisar buscar uma saída, seria, quem sabe, tentar evitar o mal, mas, se não tem jeito, fica o don’t give up patrocinado pelo Ficcionista de sempre:

“And still I am there falling down in this evil pit
But until I hit the bottom, I won't believe it's bottomless”
(The Handsome Family - The Bottomles Hole)

Boa sorte pra nós!

***
Música: The Bottomless Hole
Banda: The Handsome Family
Álbum: Singing Bones (2003)

***

"...down in this evil pit..."

***

Originalmente, era um post sobre a história desse casal da música.
Eles acordam um belo dia e percebem que há esse buraco sem fundo entre eles, lá atrás do celeiro. E não há nada que tampe o maldito. Ela dá corda pra ele se "enforcar", e ele vai embora levando só um canivete sem corte e uma banheira enferrujada. A música tava gravada há mais de um ano, esperando a leitura do livro do Stephen, o fechamento do raciocínio.
No fim, saiu tudo diferente...
É que no horizonte de eventos do buraco, tudo fica imprevisível, cheio de incertezas.
Mas aí já é com o Heisenberg, fica pra outro dia.


***


(Stephen Hawking - Buracos Negros)

domingo, 30 de setembro de 2018

Ciência pura!


É público e notório que por aqui ninguém é dado a misticismos. Não mesmo. A não ser que o misticismo em questão seja de ordem puramente científica. E é claro que se, dentre todo o imenso catálogo disponível a um palmo de distância do seu nariz, você escolhe assistir justamente a história do sujeito que tornou possível a corrente alternada e, nesse muito curto espaço de tempo de três mil segundinhos, a energia acaba – duas vezes! – então é claro que isso quer dizer algo.

Veja, não é mística e nem coincidência. Isso é ciência pura.

Mas, se é pra misturar mística com ciência, então o seu cara talvez seja mesmo o Tesla.

E uma semana depois, não é que eu estava revendo umas partes do filme, pra tomar umas notas, fazer uns rabiscos... e bum! ciência pura: a energia acabou novamente. (Não durante o filme, que seria falta de originalidade, mas uns poucos milhares de segundinhos depois, garanto.)

O pitoresco é que eu nem me lembrava quando, antes disso, a energia acabou por aqui. Nem sabia que isso ainda acontecia, pra dizer a verdade. Ou seja, é coisa, no mínimo, bem rara.

E é nesse ponto que, se você é tão cético quanto eu e só acredita mesmo é na matemática, então como dois e dois são quatro você há de convir comigo que o Tesla só podia estar de peraltices, certo?!

Tesla peralta

O grande Tesla, que chutou o rabo gordinho da corrente contínua beiçudinha do Edson, o grande Tesla, que nasceu no meio da tempestade, filho da luz, poeta da ciência, apóstolo das forças da natureza, à qual tão incansavelmente admirou e reverenciou, o grande Tesla, amigo do Marquinho ali da esquina - qual Marquinho? o Twain! -, o grande Tesla, ficcionista científico ou cientista do realismo fantástico, como queira, o grande Tesla fotógrafo de pensamentos, amigo/enamorado de pombos do Bryant Park – sempre mais limpos que humanos! – o grande Tesla, que fez o Bowie usar um bigode, o grande Tesla do raio da morte que recebeu mensagens em código morse de Marte, o grande Tesla que morreu falido e esquecido no 33º andar do Hotel New Yorker, no quarto 3327, onde tudo era muito divisível por três...

...o grande Tesla, artista-eletricista-cientista-poeta:


 “Ele era um artista. Ele trabalhava com seus sonhos. Trabalhava com suas visões. Seu meio não era o barro. Seu meio não era a tinta. Seu meio era a eletricidade.”

É que ele não se amarrava a dinheiro não, mas aos mistérios, como já bem disse um outro grande cientista.

Fica aí a homenagem e o agradecimento a esse grande sujeito, que nem se deu ao trabalho de descobrir o rádio porque já estava pensando era no wireless. (Êh, Marconi, perigo, hein?!, usurpador de patentes, você precisa ser preso também, safado!)

Grande Tesla!
Tesla com seu instrumento musical, tocando uma música cheia de melodia e elétrons...

***

E, só porque o “paralelo” é interessante, vou roubar um pedaço do estudo científico do John dos Passos aqui, rapidinho.

De um lado do ringue, pesando mais de oitenta anos, o Tesla morre falido e esquecido. Do outro lado, com não menos que oitenta anos de tentativa-e-erro, o Edson morre ainda escravo:

“Edson preocupava-se com uma coisa a que chamava de força elétrica; quebrou a cabeça um bocado com ela, mas foi Marconi quem faturou as ondas hertzianas. O rádio ia despedaçar o antigo universo. O rádio ia matar o velho Deus euclidiano, mas Edson jamais foi homem de se preocupar com conceitos filosóficos;
Trabalhava noite e dia mexendo com rodas dentadas e pedaços de fio de cobre e produtos químicos em vidros; sempre que pensava num aparelho, experimentava-o. Fazia as coisas funcionarem. Não era um matemático. Posso contratar matemáticos, mas os matemáticos não podem me contratar, dizia.

[...]

Thomas A. Edson aos oitenta e dois anos trabalhava dezesseis horas por dia;
Nunca se preocupou com matemática ou o sistema social ou conceitos filosóficos generalizados;
Em colaboração com Henry Ford e Harvey Firestone, que nunca se preocuparam com matemática ou o sistema social ou conceitos generalizados;
Trabalhava dezesseis horas por dia tentando descobrir um substituto para a borracha; sempre que lia sobre alguma coisa experimentava-a; sempre que tinha um palpite, ia para o laboratório e experimentava-o.” 

(John dos Passos – Paralelo 42)

***

E pra fechar, claro, tem que ter uma trilhazinha sonora, porque senão ninguém aguenta tanta conversa fiada.

O meio do documentarista é o documentário, já o do músico, pode ser o documentário também, se ele quiser. Fica essa versão curta da história do Teslinha, que o pessoal da Handsome Family escreveu, dirigiu, produziu e interpretou com muita beleza e puro sentimento. Ou você gasta 50 minutos no filme ou 5 na canção (se a energia não acabar, claro). Dois estilos diferentes de registrar a mesma história:

Música: Tesla's Hotel Room
Banda: The Handsome Family
Disco: Last days of wonder

Disco foda!

***

Pois é, e fechando o raciocínio do início, é como disse a canção,
"...when spirits still flew..."

Tesla peralta.
Ciência pura!

sábado, 22 de setembro de 2018

Caderno da Lua - 14

Choro.

Música: Caixa de Fósforo
Compositor: Othon G. R. Filho

***

Hands in flames!

Faz tempo...

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Música Salva! (17) - Don't give up on me


"Gostariam de ouvir uma estranha história?"

***

Nas republicações que fiz por aqui das edições do Música Salva! - as que foram enviadas só por e-mail em meados de 2013 - acabei pulando o nº 17. Mas isso não foi só um equívoco comum não. Foi um equívoco planejado com uma certa meticulosidadezinha.

É que, por ser um assunto que me interessa desde sempre e ainda muito, no envio daquela edição eu já senti que, em algum momento, surgiria uma segunda parte.
Pois é, o troço dava pano pra manga...

Tempos depois eu conheci uma outra música que me deu essa certeza e acabei preferindo esperar ter essa "sequência" mais ou menos pronta pra mandar tudo mais ou menos junto.


Mais ou menos isso mesmo, s
e minha memória não trai minha mentira.

Então, agora, vou apenas republicar o menino aqui, por mais bobo que ele continue parecendo, sobretudo agora que todos nós já crescemos um pouquinho mais - e olha que deu um trabalho isso, inclusive científico, de pesquisa e extensão, valha-me deus minha nossa senhora, jesus-mary-joseph: elas se divertindo do lado com os livros de direito e eu ali atracado com o Stephen Hawking, que ia dando nó cego em cima de nó cego nos cadarços da minha cachola em uma das tardes mais quentes vividas naquela biblioteca, e eu suava de calor, suava de medo, suava de raiva e de vergonha da minha burrice e o sacana me dava uma surra sem mover um dedo (ops!), de forma que eu só consegui mesmo atingir aquele meu nível superficial e prolixo de sempre no qual me sinto hoje tão covardemente acomodado ou comodamente acovardado, como queira.

Mas pra mim foi uma luta e tanto e fica aqui a primeira parte dessa edição que hoje pode ser também uma homenagem e um agradecimento, ainda que tardio, ao velho Stephen.

Agora vâmo lá, porque quem tem medo não pode ficar parando muito pra olhar pra trás:

Páginas 1 e 2


Páginas 3 e 4


Página 5

***

Solomon Burke - Don't Give Up on Me
Álbum: Don't Give Up on Me (2002)

***


Bônus track

***


Poetry

terça-feira, 18 de setembro de 2018

domingo, 16 de setembro de 2018

Vai minha irmã...

Música: Samba de Orly
Compositores: Toquinho, Chico, Vinícius

***

"...pede perdão pela duração dessa temporada..."

***

"...e se puder me manda uma notícia boooooaaaaaaa..."

sábado, 15 de setembro de 2018

Um ano...

"Mande-me boas notícias dizendo que logo poderei tirar muitas outras fotos suas, ou que terei que tirar sem permissão mesmo, enquanto você reclama naquele tom de molecagem..."

Com permissão...

...e embrulhada pra presente.

***


Ganhei de novo!

Obrigado pela visita, querida.
E, claro, feliz aniversário!
(pra todos nós)

sábado, 10 de março de 2018

Our Stuck

Together Pieces

***

"Well I don’t want any trouble,
But my brain is in a tangle."

***

"Well, I know but I don’t care."

***

uuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhh...
uuuuuuuuhhhhhhhhuuuuuhhhhhhhhhh...
uuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhh...
uuuuuuuuhhhhhhhhuuuuuhhhhhhhhhh...
You don’t get away.
You don’t get away.
uuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhh...
You don’t get away.
You don’t get away.
uuuuuuuuhhhhhhhhuuuuuhhhhhhhhhh...
You don’t get away.
You don’t get away.
uuuuuuuuuuuuuhhhhhhhhhhhhhhh...
uuuuuuuuhhhhhhhhuuuuuhhhhhhhhhh...
You don’t get away.
You don’t get away.
So easily.
uuuuuuuuhhhhhhhhuuuuuhhhhhhhhhh...
uuuuuuuuhhhhhhhhuuuuuhhhhhhhhhh...

***

Atoms for Peace
Álbum: AMOK (2013)

***

In fact, I really fucking care.

quarta-feira, 7 de março de 2018

INVERS

O

***

"Todo lado tem seu lado
Eu sou o meu próprio lado
E posso viver ao lado
Do seu lado, que era meu."

Teoria dos Lados

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Parada do Manuel


“Era enorme, mesmo para essa terra de feracidades excepcionais.”
[...] 
“- Era belo, áspero, intratável.”


*** 

“Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem-comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
[protocolo de manifestações de apreço ao sr. diretor.”

*** 

“Tudo lá parecia impregnado de eternidade.”

***

“Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei”


***

“...comerei terra e direi coisas
[de uma ternura tão simples.”

***

“Mas eu salvei do meu naufrágio
Os elementos mais cotidianos.
O meu quarto resume o passado em todas as casas que habitei.”
[...] 
“Sei que amanhã quando acordar
Ouvirei o martelo do ferreiro
Bater corajoso o seu cântico de certezas.”

***

“A caminho do céu?
Mas que céu pode satisfazer teu sonho de céu?”

***

“Parada do Lucas
- O trem não parou.

Ah, se o trem parasse
Minha alma incendida
Pediria à Noite
Dois seios intactos.”

***

“Quanta luz mediterrânea”

***

“Não quero o êxtase nem os tormentos.
Não quero o que a terra só dá com o trabalho.

As dádivas dos anjos são inaproveitáveis:
Os anjos não compreendem os homens.

Não quero amar,
Não quero ser amado.
Não quero combater,
Não quero ser soldado.

- Quero a delícia de poder sentir as coisas mais simples.”

***

“Eurico Alves, poeta baiano,
Salpicado de orvalho, leite cru e tenro cocô de cabrito,
 [...]
Como o pão que o diabo amassou.
Bebo leite de lata.
Falo com A., que é ladrão.
Aperto a mão de B, que é assassino.
[...]
Não sou mais digno de respirar o ar puro dos currais da roça.”

***

“Não quero óculos nem tosse
Nem obrigação de voto”
[...] 
“Quero a solidão dos píncaros
A água da fonte escondida”
[...] 
“Quero dar a volta ao mundo
Só num navio de vela”
[...] 
“Mas basta de lero-lero
Vida noves fora zero.”

***

“Ser como o rio que deflui
[...]
Se há estrelas nos céus, refleti-las.
E se os céus se pejam de nuvens,
Como o rio as nuvens são água,
Refleti-las também sem mágoa
Nas profundidades tranquilas.”

***

“Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma,
A alma é que estraga o amor.”
[...]
“As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.”

***

“Que o corpo, esse vai com o boi morto,”
[...] 
“Boi espantosamente, boi”


***

“Muito cosmograficamente
Satélite.”
[...] 
“Demissionária de atribuições românticas.
Sem show para as disponibilidades sentimentais!
[...]
Fatigado de mais-valia,
Gosto de ti assim:
Coisa em si,
- Satélite.”

***


“Todas as manhãs o aeroporto em frente me dá lições de partir”
[...]
“-Esse sol da demência”

***

“O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.”

***

“- A dor de ser um homem...
Este anseio infinito e vão
De possuir o que me possui.”

***

(Manuel Bandeira - 50 poemas escolhidos pelo autor)

domingo, 25 de fevereiro de 2018

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Tecelã

"My lady takes a nasty tumble
Down the crumbled steps of the merchants guild."

***

Richard Dawson - Weaver
Álbum: Peasant (2017)

***

"ahahahahaaaaaaaaaaaaaaah
ahahahahaaaahaaahhhhh
ahahahahaaaaaaaaaaaaaaah
ahahahahahááááhááááááh
áááháháháhááááháááááááááááá
áháháháháááááááááháhááááhááá
áááháháháhááááháááááááááááá
áháháháháááááúúhúhúúúúúúúhh
úhúhúhúhúúúúúúhhh
úhúhúhúhúúúúúúhúhúhhh
úhúhúhúhúúúúúúhhh
úhúhúhúhúúúúúúhúhúhhhhúhhhhhhhúhhhhh.."