Ingenuamente executada (sorry again, Kenny!) por: Mogli, O Menino Lobo
***
"One morning they came to take me to jail I smiled at them and said all right But alone in that same nigth i cried and cried again But today, but today, but today, I don't know why I feel a little more blue than then…"
"Did you ever take a picture of a beautiful scene with a blue sky with a billowy cloud formation and then, when the picture came back from the finisher, discover that those beautiful clouds, wich really made the scene, were gone?"
Mas achei esse vídeo super elucidativo, de forma que resolvi postá-lo.
Esse é o segundo post do Ficcionista totalmente "não autoral".
Será que vocês seguram a onda?
Vamos ver.
***
Prova número 1) Jogo da estrela (para ambos os sexos)
Prova número 2) Panela de pressão 'Rochedo' (pra mamãe)
Prova número 3) Rádio de pilha (de ótima qualidade)
Prova número 4) "E qual será o prêmio da quarta prova Lombardi?"- com direito a inclinadinha de corpo pra trás - Moderno relógio de pulso (para ele e para ela)
Prova número 5) "E pegou a bicicleta, e veio andando de bicicleta e saiu aqui e, e..." - Gravador (muito útil para os estudantes)
Prova número 6) Máquina de escrever (vai fazer deles ótimos estudantes - aqui, o Lombardi já está ficando sem criatividade)
Prova número 7) Vídeo Game (pra toda a família - aê mamãe, não é só a panela de pressão! pode jogar com a gente!) - O gesto pra "Colocou o mapa dentro" é gracioso!)
Prova número 8) "A mocinha começou a correr" - Bicicleta (lógico, nessa época os vídeo games não eram tão legais)
***
E o show começa! Quando eu apitar!
***
Agora vai, vai depressa, vai depressa, vai depressa, vai você pra lá, vai você, se coloca aqui no colchão, estoura a bola, vai, entra aí dentro, entra aí dentro, coloca você lá, cola a bandeirinha lá, cola, entra aí dentro, mergulha aí, vai, vai, vai, se coloca aqui você, aqui atrás, quando ele..., aqui atrás, aqui atrás, aqui atrás, agora, agora, sai, sai daí, sai, tem que pular, não, sai dai, sai, sai, agora vai você, vai, vai você, estoura, vê se tem a mensagem, vê se tem a mensagem, agora, senta aí, vê se tem a mensagem, encontra a mensagem, olha se tem mensagem, não é a mensagem, não é, vê se essa é a mensagem, também não é, vai, não tem mensagem, vai lá, não tem mensagem, é a última, vai, vai, força, força, FORÇA, AY CARAMBA!, vai, vê se tem mensagem, pega a mensagem, abre, vê se é ela, não, não tem, cadê a mensagem?, vê se é ela, agora, não é a mensag..., é essa?!, vai lá, vai lá, vai lá, se coloca lá, vai depressa, VAI, vai depressa, vai depressa, vai, pega a mensagem, pega a mensagem, agora, vai lá, vai lá, se coloca aqui, se coloca aqui, vai, se coloc..., com a mensagem, agora, se coloca você lá, encontra a bolsa, cadê a bolsa?, não perde tempo, não perde tempo, não perde tempo, cadê a bolsa?, onde é que está a bolsa?, onde é que está a BOOOLLLSA?, tá perdendo muito tempo, não tem bolsa, olha aqui a bolsa, olha aqui a bolsa, olha aqui a bolsa, olha a bolsa, pronto!, agora vai lá, calma, calma, coloca lá a bolsa, coloca a mensagem, a bolsa aqui, agora vai você, vai, vai lá, vai lá, agora, agora vai você pra lá, vai pra lá, vai pra lá, vai indo, força!, vai, vai, vai, VAI, vai indo, vai, vai, três, vai, tá subindo, vai indo, vai, vai, vai indo, vai, vai, quatro, agora cinco, seis, chega, CHEGA!, sai daí, vem pra cá, vem pra cá, pega a bolsa, pega a bolsa, dá pra ela a bolsa, PRONTO! TEMPO!
***
Bem, e todo esse esforço pra nada. Venceu a Francisco Mesquita.
"- E parabéns a você, é uma bonita menina".
***
Isso já seria o bastante pra responder à pergunta inicial, mas aí me vem o cara e faz isso:
Nessa época eu trabalhava na Lua. Por quê? Não sei bem. Acho
que porque já não havia mais trabalho na Terra. Vocês são jovens demais pra
saber sobre esse tipo de coisa, mas a verdade é que chegou um tempo em que tudo
o que havia pra ser feito na Terra já estava sendo feito por várias pessoas, em
diversas partes do globo. Desde grampos de cabelo com pontinha alaranjada até
aeroplanos magníficos feitos para destruição em massa. Em outras palavras,
quero dizer que já não havia empregos no planeta. Foi aí que tiveram a ideia de
enviar homens a diversos lugares inexplorados. Alguns foram enviados pra
Marte, outros pra morte, e outros pra Lua, pra fazerem trabalhos que ninguém
fazia até então. “Um mercado de trabalho em franca expansão”, eles diziam – com ênfase
na palavra ‘franca’ - mas a verdade é que só queriam se livrar dos
desajustados. Não que eu fosse um desses, mas eu era. Daí que nessa época eu
estava na Lua, fazendo esboços de pedras lunares, catalogando crateras, sincronizando
eclipses, enfim, todo tipo de trabalho sujo que precisava ser feito por alguém.
Vocês sabem que alguém tem que levar o lixo pra fora, e era isso que eu fazia
nessa época.
***
Essa Lua só não é vermelha. Mas de resto é tudo isso aí. É sim.
***
Esse vídeo é resultado de um estudo anti-romântico sobre a
Lua e foi realizado por um cinegrafista amador. Amador, mas anti-romântico, me
respeitem, por favor!
***
É que um dia me disseram que um tal de São Lourenço ia chorar
nos céus de todo o hemisfério sul. Aí, eu subi no telhado pra dar um abraço
nele, pra chorar junto, umas mágoas, umas coisas, enfim, dividir dores. Só que
o São Lourenço não chorou no meu telhado. Mas tinha lá essa Lua, “pérola madura”,
pra me consolar. E eu fiquei ali chorando, mesmo depois que a lágrima acabou,
angariando fundos, namorando ela – porque “namorando-a” não é coisa que se
faça.
Enfim, fotografando luz, pra revelar ingratidão.
***
“Lambe a minha orelha com a sua cor.”
***
“Bola japonesa no céu do sertão.”
***
Certa vez, conheci um cão que não latia. Lástima, ele Andaluzia:
***
Mas, oito anos depois, era mais ou menos assim:
Saudações ao velho Buñuel.
***
Amor é isso aí, minha gente: é quando você cai da bicicroiss e tem alguém pra lamber suas feridas de forma a fazer você se sentir culpado por um dia ter se permitido levar um tombo de bicicroiss.
...todos confessavam que os deuses só haviam instituído os reis para que dessem festas todos os dias, contanto que fossem variadas; que a vida é demasiado curta para que a empreguemos de outra forma; que os processos, as intrigas, a guerra, as disputas dos sacerdotes que consomem a vida humana, são coisas absurdas e horríveis; que o homem nasceu para a alegria; que não amava apaixonada e continuamente os prazeres se não fora formado para eles, que a essência da natureza humana é deleitar-se, e todo o resto é loucura. Essa excelente moral nunca foi desmentida senão pelos fatos."
Uma maçã se apaixonou por uma banana, mas a banana era muito apegada às irmãs solteironas e disse que só se casava se elas fossem junto. A maçã - que era uma "maçã do amor" - tava apaixonada demais e aceitou a proposta. Se casou com a banana e levou também as quatro irmãs.
Só que, durante a lua-de-mel, a maçã se enganou e descascou a irmã errada. Quatro vezes. A esposa da maçã ficou furiosa:
"- Como você me apronta uma bobagem dessas em plena lua-de-mel? Não quero te ver mais. Nem pintada de verde!"
A maçã foi embora tristinha e, desse dia em diante, ficou estigmatizada como "a fruta do pecado". O resto é lenda.
***
Dizem que as irmãs da banana divorciada continuaram se encontrando escondido com a maçã ainda por muito tempo depois desse episódio.
(Não me perguntem como elas faziam isso. As frutas são vegetais muito criativos.)
***
Anos depois a maçã entrou pra uma salada de frutas com iogurte e ficou viajando nessa por um tempo. Um belo dia, a química acabou e cada um foi pra um canto diferente. A maçã se mudou pra Portsmouth, New Hampshire, onde se aposentou e vive com relativo conforto em uma casa perto do porto.
As irmãs apodreceram no cacho mas nunca se separaram. Eram muito unidas.
Vovô Jake estava tão mal quanto Miúdo. Apanhado pela
primeira tempestade, pegou uma gripe (a primeira de sua vida, segundo ele) e
foi logo para a cama. Miúdo cozinhava e cuidava dele, o que significava
sobretudo buscar uísque e jogar damas todo dia durante horas.
[...]
No primeiro dia, concordaram em jogar para ver quem ganhava
as primeiras cinco partidas em nove, e quando Miúdo ganhou cinco seguidas, vovô
insistiu em que jogassem para ver quem ganhava mais em 19 ("só pra
eliminar o fator sorte", explicou), e dois dias depois de passarem as
tempestades, Miúdo doido para voltar à sua cerca, eles ainda estavam disputando
500 em 999. Estavam em 451 para Miúdo e 12 para o vovô Jake - ou exatamente 12
partidas depois de Miúdo perceber que vovô não ia melhorar até ganhar, fazendo
Miúdo perder quantas partidas pudesse, o que nem sempre era possível,
considerando-se o jogo cada vez mais excêntrico de Jake.
Por mais de três dias se defrontaram no tabuleiro.
[...]
O tempo vinha se mantendo claro e firme há quase três dias,
mas Miúdo ainda estava preso à maratona de damas com o vovô convalescente que,
apesar de declarar que se sentia simplesmente horrível, não tinha tossido nem
espirrado nos últimos quatro dias, consumia sua garrafa diária de uísque com o
deleite costumeiro e, no geral, parecia vivo como sempre - chegando quase a ser
afável quando diminuiu a diferença no jogo de damas, gargalhando com prazer ao
ganhar de Miúdo com movimentos que este nunca tinha visto nem ouvido mencionar,
muito menos imaginado, tais como o "Relâmpago de Biloxi", o
"Duplo Torce-Pau de King-Kong" e, o mais seguro, o "Velho
Troca-Troca" - movimentos tão arriscados que sua compreensão exigia um
certo esforço por parte de miúdo.
No primeiro dia de abril, com a contagem tendo chegado a 499
ao final da noite anterior, jogaram a partida decisiva - era meio-dia em ponto.
Miúdo manobrou brilhantemente para uma posição de onde podia ter três pedras
comidas num só lance, e apesar de ter levado duas jogadas até vovô perceber,
este finalmente aproveitou a brecha e acabou ganhando.
- Agora te peguei com o Malho Supertriplo do Expresso
Capa-Saco - grasnou vovô, enquanto Miúdo sacudia a cabeça, pesaroso.
O
Eleotero foi um dos doze deuses olímpicos. Bem, era pra ter sido.
Ele era o deus da limpeza dos peixes e tinha o poder mítico do avental. Quando
o prato do dia era peixe – o que acontecia com certa frequência – o Eleotero ia
pra cantina do Olimpo e ficava lá o dia todo, encarregado de abrir e limpar os
bichinhos. Mas, embora fosse excelente ao desempenhar essa função, mantendo seu
avental sempre impecável, o Eleotero não gostava muito de limpar peixe não. Ele
preferia gastar seu tempo nos inferninhos 24 horas que existiam no sopé do
monte.
A verdade
é que ele se sentia muito mal em relação ao seu “dom”. Tinha vergonha. Pra ser
bem preciso, o Eleotero se sentia um deusinho de merda. Queria ser bacana, tipo
o Hefesto, deus do fogo e da metalurgia ou tipo o Poseidon, deus dos mares e
das tempestades. Enfim, uma coisa legal, que chamasse a atenção das mulheres.
Então,
com o tempo, desmotivado com seus poderes e com as condições de trabalho, o
Eleotero começou a passar cada vez mais tempo nos inferninhos e se esqueceu de
suas obrigações. Os deuses ficaram irritadinhos porque estavam comendo apenas
vegetais no almoço e na janta, sete dias por semana.
- Cadê o
Eleotero? – bradou o Zeus, um dia, muito bravo, batendo com o garfo na mesa e
cuspindo um pedaço de nabo mal mastigado pelo canto da boca.
- Está
nos inferninhos com o Hades. Agora ele só vive por lá, querido. – disse a Hera,
do auto de sua dignidade conjugal, enquanto limpava com um guardanapo a barba
do marido e também irmão – pois é, entre eles, os deuses são bem
liberais.
Então o Zeus ficou puto e reuniu, à surdina, os outros deuses pra eles
declararem a vacância da cadeira do Eleotero no panteão. Na reunião, eles
decretaram abandono de emprego com base nas leis do MMTPPG – Ministério Mítico
do Trabalho e dos Poderes do Panteão Grego.
Na manhã
seguinte, o Eleotero voltou pro Olimpo, levemente alterado, e foi recebido,
ainda no portão, pelo Apolo e pelo Zeus, que disseram que ele não fazia mais
parte daquele “seleto clã”.
O
Eleotero disse assim:
- Vocês não podem fazer isso comigo, seus canalhas! Eu tenho o poder do
avental, estão me ouvindo?! Eu não sou qualquer um! Eu sou um exímio limpador
de peixes!
Mas o Zeus e o Apolo estavam irredutíveis.
- Saia
daqui, seu ébrio habitual! – disse o Zeus, atirando com fúria um cesto de nabos
recém-colhidos na direção do Eleotero.
Mas o
Eleotero conseguiu escapar da pancada cambaleando bebadamente e isso deixou o
Zeus ainda mais puto. Ele fez um sinal pro seu queridinho, o Apolo, que segurou
os braços do Eleotero para trás, pro Zeus poder dar uns murros na barriga dele.
Mas acontece que, durante a noite, o Eleotero tinha bebido quase um litro de
vodca, meia garrafa de uísque - sem gelo, puro malte -, além de nove shotzinhos
de tequila, e foi obrigado a vomitar pra todo lado. No entanto, não se sujou,
porque estava usando o seu avental divino. Já o Zeus e o Apolo, bem, eles se
deram muito mal.
Aí o
Zeus, como punição – porque ele era cheio de fazer essas maldades com as
pessoas que cometiam erros – arrancou o nariz do Eleotero e pregou no lugar uma
cauda de peixe, para que, eternamente– os deuses gostam muito
dessa palavra -, ele sentisse o cheiro cru do animal e se lembrasse do quão
temerário tinha sido quanto às suas obrigações laborais.
Nesse
momento o Eleotero percebeu que não adiantava recorrer da decisão e disse
apenas aquela frase complexa e bem elaborada que muitos utilizam quando perdem
algo importante por agir de forma displicente:
“- Ah, eu
nem queria mesmo...”
Deu de
ombros e foi embora.
Fim.
***
Nota do Ficcionista: O Eleotero jamais foi visto novamente e os outros deuses
riscaram o nome dele de todos os anais e alfarrábios referentes ao panteão
grego. E é por isso que nunca o vemos incluído em nenhuma lista desse tipo.
Mais tarde, alguns estudiosos do assunto atribuíram também ao deus Eleotero a
divindade dos navios naufragados, da demissão por justa causa, dos peixes
bluegill, e da rinoplastia. Há também uma corrente – minoritária, registre-se –
que afirma que ele é também o deus da sardinha em lata (mas apenas daquele tipo
que já vem temperado com limão). Outros relatos, colhidos ao longo de eras,
apontam para o fato de que, após ser expulso do Olimpo, o Eleotero atravessou o
Mar Egeu e o Mar Mediterrâneo em uma modesta jangadinha e acabou se tornando um
respeitável sushiman em uma província
do litoral israelense. Mas esse assunto é controverso ainda hoje, alguns anos
depois.
E se você leu esse texto até o fim: mil desculpas.