domingo, 31 de agosto de 2014

"Three seats for the future"

(Brasília, 2011)

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(Dub Pistols - Cyclone)

"Here are the thrillseekers . . . corrupt, and immoral."
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"You got me runnin in a cyclone."
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"Too much. Too often."

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

The CC Blues

Música: The CC Blues
Autor: Kenny Sultan
Ingenuamente executada (sorry again, Kenny!) por: Mogli, O Menino Lobo

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"One morning they came to take me to jail
I smiled at them and said all right
But alone in that same nigth i cried and cried again
But today, but today, but today, I don't know why
I feel a little more blue than then…"

Caetano

terça-feira, 26 de agosto de 2014

Capítulo VII

"Did you ever take a picture of a beautiful scene with a blue sky with a billowy cloud formation and then, when the picture came back from the finisher, discover that those beautiful clouds, wich really made the scene, were gone?"

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Bem, é a vida...

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...a vida e essas billowy things.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Quando a cabeça não pensa...

...o corpo padece.

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Porque eu amo o Silvio?
A maioria de vocês já sabe.
Mas achei esse vídeo super elucidativo, de forma que resolvi postá-lo.
Esse é o segundo post do Ficcionista totalmente "não autoral".

Será que vocês seguram a onda?

Vamos ver.

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Prova número 1) Jogo da estrela (para ambos os sexos)

Prova número 2) Panela de pressão 'Rochedo' (pra mamãe)

Prova número 3) Rádio de pilha (de ótima qualidade)

Prova número 4) "E qual será o prêmio da quarta prova Lombardi?"- com direito a inclinadinha de corpo pra trás - Moderno relógio de pulso (para ele e para ela)

Prova número 5) "E pegou a bicicleta, e veio andando de bicicleta e saiu aqui e, e..." - Gravador (muito útil para os estudantes)

Prova número 6) Máquina de escrever (vai fazer deles ótimos estudantes - aqui, o Lombardi já está ficando sem criatividade)

Prova número 7) Vídeo Game (pra toda a família - aê mamãe, não é só a panela de pressão! pode jogar com a gente!) - O gesto pra "Colocou o mapa dentro" é gracioso!)

Prova número 8) "A mocinha começou a correr" - Bicicleta (lógico, nessa época os vídeo games não eram tão legais)

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E o show começa! Quando eu apitar!

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Agora vai, vai depressa, vai depressa, vai depressa, vai você pra lá, vai você, se coloca aqui no colchão, estoura a bola, vai, entra aí dentro, entra aí dentro, coloca você lá, cola a bandeirinha lá, cola, entra aí dentro, mergulha aí, vai, vai, vai, se coloca aqui você, aqui atrás, quando ele..., aqui atrás, aqui atrás, aqui atrás, agora, agora, sai, sai daí, sai, tem que pular, não, sai dai, sai, sai, agora vai você, vai, vai você, estoura, vê se tem a mensagem, vê se tem a mensagem, agora, senta aí, vê se tem a mensagem, encontra a mensagem, olha se tem mensagem, não é a mensagem, não é, vê se essa é a mensagem, também não é, vai, não tem mensagem, vai lá, não tem mensagem, é a última, vai, vai, força, força, FORÇA, AY CARAMBA!, vai, vê se tem mensagem, pega a mensagem, abre, vê se é ela, não, não tem, cadê a mensagem?, vê se é ela, agora, não é a mensag..., é essa?!, vai lá, vai lá, vai lá, se coloca lá, vai depressa, VAI, vai depressa, vai depressa, vai, pega a mensagem, pega a mensagem, agora, vai lá, vai lá, se coloca aqui, se coloca aqui, vai, se coloc..., com a mensagem, agora, se coloca você lá, encontra a bolsa, cadê a bolsa?, não perde tempo, não perde tempo, não perde tempo, cadê a bolsa?, onde é que está a bolsa?,  onde é que está a BOOOLLLSA?, tá perdendo muito tempo, não tem bolsa, olha aqui a bolsa, olha aqui a bolsa, olha aqui a bolsa, olha a bolsa, pronto!, agora vai lá, calma, calma, coloca lá a bolsa, coloca a mensagem, a bolsa aqui, agora vai você, vai, vai lá, vai lá, agora, agora vai você pra lá, vai pra lá, vai pra lá, vai indo,  força!, vai, vai, vai, VAI, vai indo, vai, vai, três, vai, tá subindo, vai indo, vai, vai, vai indo, vai, vai, quatro, agora cinco, seis, chega, CHEGA!, sai daí, vem pra cá, vem pra cá, pega a bolsa, pega a bolsa, dá pra ela a bolsa, PRONTO! TEMPO!

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Bem, e todo esse esforço pra nada. Venceu a Francisco Mesquita.

"- E parabéns a você, é uma bonita menina".

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Isso já seria o bastante pra responder à pergunta inicial, mas aí me vem o cara e faz isso:


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E aí? Precisa mais?

O cara é bom, o cara é sábio.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Caderno de brincar - 21

Vinte e um
"Ser inconscientemente vulgar demonstra uma natureza melhor
do que ser conscientemente virtuoso."

(Truman Capote - Ensaios)

sábado, 16 de agosto de 2014

Dez da madrugada


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Nessa época eu trabalhava na Lua. Por quê? Não sei bem. Acho que porque já não havia mais trabalho na Terra. Vocês são jovens demais pra saber sobre esse tipo de coisa, mas a verdade é que chegou um tempo em que tudo o que havia pra ser feito na Terra já estava sendo feito por várias pessoas, em diversas partes do globo. Desde grampos de cabelo com pontinha alaranjada até aeroplanos magníficos feitos para destruição em massa. Em outras palavras, quero dizer que já não havia empregos no planeta. Foi aí que tiveram a ideia de enviar homens a diversos lugares inexplorados. Alguns foram enviados pra Marte, outros pra morte, e outros pra Lua, pra fazerem trabalhos que ninguém fazia até então. “Um mercado de trabalho em franca expansão”, eles diziam – com ênfase na palavra ‘franca’ - mas a verdade é que só queriam se livrar dos desajustados. Não que eu fosse um desses, mas eu era. Daí que nessa época eu estava na Lua, fazendo esboços de pedras lunares, catalogando crateras, sincronizando eclipses, enfim, todo tipo de trabalho sujo que precisava ser feito por alguém. 

Vocês sabem que alguém tem que levar o lixo pra fora, e era isso que eu fazia nessa época.

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Essa Lua só não é vermelha. Mas de resto é tudo isso aí. É sim.

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Esse vídeo é resultado de um estudo anti-romântico sobre a Lua e foi realizado por um cinegrafista amador. Amador, mas anti-romântico, me respeitem, por favor!

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É que um dia me disseram que um tal de São Lourenço ia chorar nos céus de todo o hemisfério sul. Aí, eu subi no telhado pra dar um abraço nele, pra chorar junto, umas mágoas, umas coisas, enfim, dividir dores. Só que o São Lourenço não chorou no meu telhado. Mas tinha lá essa Lua, “pérola madura”, pra me consolar. E eu fiquei ali chorando, mesmo depois que a lágrima acabou, angariando fundos, namorando ela – porque “namorando-a” não é coisa que se faça. 

Enfim, fotografando luz, pra revelar ingratidão.

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“Lambe a minha orelha com a sua cor.”

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“Bola japonesa no céu do sertão.”

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Certa vez, conheci um cão que não latia. Lástima, ele Andaluzia:

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Mas, oito anos depois, era mais ou menos assim:

Saudações ao velho Buñuel.

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Amor é isso aí, minha gente: é quando você cai da bicicroiss e tem alguém pra lamber suas feridas de forma a fazer você se sentir culpado por um dia ter se permitido levar um tombo de bicicroiss.

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Meu pai também é Luí(s)(z).

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Este post não faz o menor sentido, eu sei.
A Lua também não.
Escrever "Lua" com L maiúsculo também não.
Terra com "T" maiúsculo, também não.
E nem o nome de nenhum país.
Assim como qualquer lui(s)(z).

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Agora, é o "sono do dragão".


Boa noite.

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

O exército mais fiel

PELOTÃO, MARCHE!

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O General orienta:

- Nós não fazemos reféns!
- Nós não negociamos com terroristas!
- Nós não deixamos nossos homens para trás!

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Full Metal Jacket - Stanley Kubrick

terça-feira, 5 de agosto de 2014

domingo, 3 de agosto de 2014

Caderno da Lua - 13

O trem da juventude


"é veloz.
Quando foi olhar já passou.
Os trilhos do destino cruzando entre nós.
Pela vida, trazendo o noooovo."

(OBS.: Álbum completo no link acima. O Trem da Juventude parte aos 7:32min.)

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O sol envelhece, meus caros.
Cuidado!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Urbis et Orbis*

*À cidade e ao mundo

"Enquanto...

...todos confessavam que os deuses só haviam instituído os reis para que dessem festas todos os dias, contanto que fossem variadas; que a vida é demasiado curta para que a empreguemos de outra forma; que os processos, as intrigas, a guerra, as disputas dos sacerdotes que consomem a vida humana, são coisas absurdas e horríveis; que o homem nasceu para a alegria; que não amava apaixonada e continuamente os prazeres se não fora formado para eles, que a essência da natureza humana é deleitar-se, e todo o resto é loucura. Essa excelente moral nunca foi desmentida senão pelos fatos."

(A princesa da Babilônia - Voltaire)

terça-feira, 29 de julho de 2014

Paintbrush Sessions (SET/2010)

Fresh fruit salad freestyle

Uma maçã se apaixonou por uma banana, mas a banana era muito apegada às irmãs solteironas e disse que só se casava se elas fossem junto. A maçã - que era uma "maçã do amor" - tava apaixonada demais e aceitou a proposta. Se casou com a banana e levou também as quatro irmãs. 

Só que, durante a lua-de-mel, a maçã se enganou e descascou a irmã errada. Quatro vezes. A esposa da maçã ficou furiosa:

"- Como você me apronta uma bobagem dessas em plena lua-de-mel? Não quero te ver mais. Nem pintada de verde!"

A maçã foi embora tristinha e, desse dia em diante, ficou estigmatizada como "a fruta do pecado". O resto é lenda.

***

Dizem que as irmãs da banana divorciada continuaram se encontrando escondido com a maçã ainda por muito tempo depois desse episódio.

(Não me perguntem como elas faziam isso. As frutas são vegetais muito criativos.)

***

Anos depois a maçã entrou pra uma salada de frutas com iogurte e ficou viajando nessa por um tempo. Um belo dia, a química acabou e cada um foi pra um canto diferente. A maçã se mudou pra Portsmouth, New Hampshire, onde se aposentou e vive com relativo conforto em uma casa perto do porto.

As irmãs apodreceram no cacho mas nunca se separaram. Eram muito unidas.

domingo, 27 de julho de 2014

HER (02)


"Sometimes I think I have felt everything I'm ever gonna feel. 
And from here on out, I'm not gonna feel anything new.
Just lesser versions of what I've already felt."

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domingo, 13 de julho de 2014

HER (01)

“- Play a melancholy song.”

*...when you know you're gonna die...*

“- Play a different melancholy song.”

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Fup

O grande campeonato de damas de 1978

[...]

Vovô Jake estava tão mal quanto Miúdo. Apanhado pela primeira tempestade, pegou uma gripe (a primeira de sua vida, segundo ele) e foi logo para a cama. Miúdo cozinhava e cuidava dele, o que significava sobretudo buscar uísque e jogar damas todo dia durante horas.

[...]

No primeiro dia, concordaram em jogar para ver quem ganhava as primeiras cinco partidas em nove, e quando Miúdo ganhou cinco seguidas, vovô insistiu em que jogassem para ver quem ganhava mais em 19 ("só pra eliminar o fator sorte", explicou), e dois dias depois de passarem as tempestades, Miúdo doido para voltar à sua cerca, eles ainda estavam disputando 500 em 999. Estavam em 451 para Miúdo e 12 para o vovô Jake - ou exatamente 12 partidas depois de Miúdo perceber que vovô não ia melhorar até ganhar, fazendo Miúdo perder quantas partidas pudesse, o que nem sempre era possível, considerando-se o jogo cada vez mais excêntrico de Jake.

Por mais de três dias se defrontaram no tabuleiro.

[...]

O tempo vinha se mantendo claro e firme há quase três dias, mas Miúdo ainda estava preso à maratona de damas com o vovô convalescente que, apesar de declarar que se sentia simplesmente horrível, não tinha tossido nem espirrado nos últimos quatro dias, consumia sua garrafa diária de uísque com o deleite costumeiro e, no geral, parecia vivo como sempre - chegando quase a ser afável quando diminuiu a diferença no jogo de damas, gargalhando com prazer ao ganhar de Miúdo com movimentos que este nunca tinha visto nem ouvido mencionar, muito menos imaginado, tais como o "Relâmpago de Biloxi", o "Duplo Torce-Pau de King-Kong" e, o mais seguro, o "Velho Troca-Troca" - movimentos tão arriscados que sua compreensão exigia um certo esforço por parte de miúdo.

No primeiro dia de abril, com a contagem tendo chegado a 499 ao final da noite anterior, jogaram a partida decisiva - era meio-dia em ponto. Miúdo manobrou brilhantemente para uma posição de onde podia ter três pedras comidas num só lance, e apesar de ter levado duas jogadas até vovô perceber, este finalmente aproveitou a brecha e acabou ganhando.

- Agora te peguei com o Malho Supertriplo do Expresso Capa-Saco - grasnou vovô, enquanto Miúdo sacudia a cabeça, pesaroso.
(Fup - Jim Dodge)

segunda-feira, 7 de julho de 2014

José

...e agora? Para onde?

***

"se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!
[...]
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?"

domingo, 29 de junho de 2014

Caderno da Lua - 12

Violonismo Selvagem
Oh, boy, não nos venha com seus violonismos selvagens! 

Mas, como sempre nos lembra o Reverendo Cartola:

"Acontece."

***
E dizer o que depois disso?!
"Amém."

sábado, 21 de junho de 2014

Caderno da Lua - 11 (Post comemorativo: #100)

Relation Ship:
was made to sink.
***
Mas aqui, marujo, o capitão sempre afunda com o navio, porque:

 (Ministro do samba, Paulo César Batista Faria)

***
E para um pouco mais de direito marítimo, a tripulação pode clicar aqui:

sábado, 7 de junho de 2014

Catarata (2/3)

"Chora, 
chora, 
chora,
chora,
mas não 
se de
mora
mora,
mora,
mora,
que nin
guém 
dá bola."

(Tom "Rei" Zé)

***

"Chooooora,
disfarça e choooora."

(Reverendo Cartola)

A valsa dos monstros

Merci, Anna, pour consoler mon cœur depuis l'année 2008.
For +:

terça-feira, 15 de abril de 2014

Caderno da Lua - 10

Newton's First Law of Motion
"A body in motion tends to stay in motion unless acted on by an outside force."
***
Um corpo é só um corpo.
Newton é poesia.
 *** 
"The body stays
And then the body moves on."
 

sexta-feira, 14 de março de 2014

S-ex-us (Caderno TRansiTório - 02)

Participação especial: Bolas de Algodão Sussex (50g)
***
"Sussa, sussinha, sussê sassai tá sossegado ô su sô seu só seu."
(Tom "Rei" Zé)

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

"Shadows Collide with People"

O Pedro Pan era um garoto muito, mas muito distraído.
Um dia, saiu pra dar um rolêzinho e perdeu a própria sombra.
Por sorte, havia essa amiga, a Wendy, que teve a boa
ideia de costurar a sombra no pé dele.
Pelo que se tem notícia, desde então, não houve mais nenhum
comunicado de sombra desaparecida nos noticiários locais.

Todos viveram bem.

***

Volta e meia, a gente também incorre no erro de esquecer, mas o fato é que até mesmo
AS SOMBRAS SÃO.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Eleotero (Caderno TRansiTório - 01)

Eleotero
 
O Eleotero foi um dos doze deuses olímpicos. Bem, era pra ter sido.

Ele era o deus da limpeza dos peixes e tinha o poder mítico do avental. Quando o prato do dia era peixe – o que acontecia com certa frequência – o Eleotero ia pra cantina do Olimpo e ficava lá o dia todo, encarregado de abrir e limpar os bichinhos. Mas, embora fosse excelente ao desempenhar essa função, mantendo seu avental sempre impecável, o Eleotero não gostava muito de limpar peixe não. Ele preferia gastar seu tempo nos inferninhos 24 horas que existiam no sopé do monte.

A verdade é que ele se sentia muito mal em relação ao seu “dom”. Tinha vergonha. Pra ser bem preciso, o Eleotero se sentia um deusinho de merda. Queria ser bacana, tipo o Hefesto, deus do fogo e da metalurgia ou tipo o Poseidon, deus dos mares e das tempestades. Enfim, uma coisa legal, que chamasse a atenção das mulheres.

Então, com o tempo, desmotivado com seus poderes e com as condições de trabalho, o Eleotero começou a passar cada vez mais tempo nos inferninhos e se esqueceu de suas obrigações. Os deuses ficaram irritadinhos porque estavam comendo apenas vegetais no almoço e na janta, sete dias por semana.

- Cadê o Eleotero? – bradou o Zeus, um dia, muito bravo, batendo com o garfo na mesa e cuspindo um pedaço de nabo mal mastigado pelo canto da boca.

- Está nos inferninhos com o Hades. Agora ele só vive por lá, querido. – disse a Hera, do auto de sua dignidade conjugal, enquanto limpava com um guardanapo a barba do marido e também irmão – pois é, entre eles, os deuses são bem liberais.         

Então o Zeus ficou puto e reuniu, à surdina, os outros deuses pra eles declararem a vacância da cadeira do Eleotero no panteão. Na reunião, eles decretaram abandono de emprego com base nas leis do MMTPPG – Ministério Mítico do Trabalho e dos Poderes do Panteão Grego.

Na manhã seguinte, o Eleotero voltou pro Olimpo, levemente alterado, e foi recebido, ainda no portão, pelo Apolo e pelo Zeus, que disseram que ele não fazia mais parte daquele “seleto clã”.

O Eleotero disse assim:

- Vocês não podem fazer isso comigo, seus canalhas! Eu tenho o poder do avental, estão me ouvindo?! Eu não sou qualquer um! Eu sou um exímio limpador de peixes!

Mas o Zeus e o Apolo estavam irredutíveis.

- Saia daqui, seu ébrio habitual! – disse o Zeus, atirando com fúria um cesto de nabos recém-colhidos na direção do Eleotero.

Mas o Eleotero conseguiu escapar da pancada cambaleando bebadamente e isso deixou o Zeus ainda mais puto. Ele fez um sinal pro seu queridinho, o Apolo, que segurou os braços do Eleotero para trás, pro Zeus poder dar uns murros na barriga dele.

Mas acontece que, durante a noite, o Eleotero tinha bebido quase um litro de vodca, meia garrafa de uísque - sem gelo, puro malte -, além de nove shotzinhos de tequila, e foi obrigado a vomitar pra todo lado. No entanto, não se sujou, porque estava usando o seu avental divino. Já o Zeus e o Apolo, bem, eles se deram muito mal.

Aí o Zeus, como punição – porque ele era cheio de fazer essas maldades com as pessoas que cometiam erros – arrancou o nariz do Eleotero e pregou no lugar uma cauda de peixe, para que, eternamente os deuses gostam muito dessa palavra -, ele sentisse o cheiro cru do animal e se lembrasse do quão temerário tinha sido quanto às suas obrigações laborais.

Nesse momento o Eleotero percebeu que não adiantava recorrer da decisão e disse apenas aquela frase complexa e bem elaborada que muitos utilizam quando perdem algo importante por agir de forma displicente:

“- Ah, eu nem queria mesmo...”

Deu de ombros e foi embora.

Fim.

***

Nota do Ficcionista: O Eleotero jamais foi visto novamente e os outros deuses riscaram o nome dele de todos os anais e alfarrábios referentes ao panteão grego. E é por isso que nunca o vemos incluído em nenhuma lista desse tipo. Mais tarde, alguns estudiosos do assunto atribuíram também ao deus Eleotero a divindade dos navios naufragados, da demissão por justa causa, dos peixes bluegill, e da rinoplastia. Há também uma corrente – minoritária, registre-se – que afirma que ele é também o deus da sardinha em lata (mas apenas daquele tipo que já vem temperado com limão). Outros relatos, colhidos ao longo de eras, apontam para o fato de que, após ser expulso do Olimpo, o Eleotero atravessou o Mar Egeu e o Mar Mediterrâneo em uma modesta jangadinha e acabou se tornando um respeitável sushiman em uma província do litoral israelense. Mas esse assunto é controverso ainda hoje, alguns anos depois.

E se você leu esse texto até o fim: mil desculpas.

“Até mais, e obrigado pelos peixes!”